19 Agosto 2026

Já enviamos um colete de proteção contra radiação à Lua e de volta, e ele funcionou

Os engenheiros da StemRad perceberam, no entanto, que não adianta muito se vestir como um cavaleiro medieval. Milstein explica que o corpo humano não é uniformemente vulnerável à radiação. “Tecidos como a medula óssea são muito mais sensíveis à radiação do que o cérebro”, diz ele. Com base nessa ideia, a StemRad desenvolveu um cinto para equipes de resgate em acidentes nucleares, que é usado ao redor dos quadris, onde se encontra cerca de metade da medula óssea do corpo – o tecido que produz células sanguíneas. Ao proteger mesmo que seja uma fração da medula óssea, uma pessoa pode regenerá-la e sobreviver a uma alta dose de radiação.

Por isso, em colaboração com a Lockheed Martin, a StemRad ampliou essa ideia para um colete destinado a mulheres que, além dos quadris, também cobre os seios, o abdômen, o intestino grosso e os órgãos genitais. Essas áreas não representam um risco imediato de vida em caso de irradiação, mas acarretam um risco de câncer a longo prazo.

“Isso ainda surpreende as pessoas”, diz Milstein. “Todos perguntam: e a cabeça? Mas, na verdade, conseguimos reduzir a dose efetiva em 60% sem proteger a cabeça, os braços ou mesmo as pernas.” Mas decidir onde a blindagem deveria ser colocada era apenas uma parte do problema. Escolher o material e criar um projeto que não impedisse os movimentos do astronauta era outra.

Um problema de divisão

“O principal fator que determina a eficácia de um material de blindagem é seu número atômico dividido por sua massa atômica”, diz Houri. O hidrogênio, que não possui nêutrons, tem aproximadamente o dobro dessa relação em comparação com qualquer outro elemento, razão pela qual a água é frequentemente citada como um bom blindador contra a radiação espacial. O polietileno de alta densidade (HDPE), um tipo comum de plástico, contém ainda mais hidrogênio por unidade de massa do que a água e, ao contrário da água, é um sólido, de modo que não é preciso se preocupar com vazamentos.

O problema de um material sólido e bastante rígido como o HDPE é que, quando ele é espessado o suficiente para oferecer boa proteção contra a radiação, isso pode prejudicar o conforto. Para contornar esse problema, a equipe da StemRad dividiu o material em hastes hexagonais de comprimentos e seções transversais variados. “Dividimos os painéis de proteção em milhares de hastes hexagonais de HDPE, semelhantes a um mosaico”, diz Houri. Essas barras, posicionadas entre duas camadas de tecido elástico, tornaram o colete extremamente flexível e fluido. “Ele se comporta quase da mesma forma que a água, ao mesmo tempo em que permanece firme”, afirma Houri.



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