Carnegie Mellon Lidera Diplomacia em Inteligência Artificial no Cenário Global
A artificial intelligence diplomacy está moldando o futuro das relações internacionais de maneiras sem precedentes. Observamos como instituições acadêmicas assumem papéis centrais nessa transformação global, especialmente quando a tecnologia se entrelaça com questões geopolíticas complexas. Em janeiro, a Carnegie Mellon participou de uma mesa-redonda colaborativa da American Academy of Arts and Sciences com a Royal Society em Londres, focada em diplomacia científica no mundo moderno. Barbara Shinn-Cunningham, da Mellon College of Science, contribuiu para o evento que explorou artificial intelligence and diplomacy, artificial intelligence and digital diplomacy, e os desafios de artificial intelligence diplomacy and geopolitics. Assim, examinamos como a universidade lidera discussões cruciais sobre IA, governança e colaboração entre nações.
Carnegie Mellon Lidera Discussões sobre IA em Fóruns Internacionais
No Fórum Econômico Mundial de 2026, o presidente da CMU, Farnam Jahanian, facilitou discussões sobre os vínculos entre indústria e academia em diversos painéis. Durante uma mesa-redonda de abertura intitulada “Ciência aberta para desafios globais”, Jahanian abordou a importância da educação interdisciplinar, descoberta científica acelerada por IA e o futuro do trabalho com ênfase em qualificação e requalificação para preparar as mudanças impulsionadas pela IA e tecnologias avançadas.
Além disso, a liderança institucional no campo da IA ficou evidente em Singapura durante janeiro. Ramayya Krishnan, diretor do CMU AI Measurement Science and Engineering Center, participou da 40ª Conferência da Association for the Advancement of Artificial Intelligence e proferiu palestras principais na conferência e em um evento separado organizado pelo Governo de Singapura e pela AI Verify Foundation. A conferência marcou a primeira vez em quatro décadas que o evento foi realizado fora da América do Norte.
Ao lado de Krishnan, os membros do corpo docente da CMU presentes incluíram o presidente da AAAI e professor de pesquisa Stephen Smith, além dos ex-presidentes da AAAI Raj Reddy e Manuela Veloso. Durante os eventos da semana, Krishnan compartilhou percepções sobre a lacuna de implantação de capacidade em IA e como isso pode ser abordado através de melhor medição e avaliação de modelos e sistemas de IA.
Como a Academia Conecta Inteligência Artificial, Diplomacia e Geopolítica
Pesquisadores da Universidade Tsinghua e UFRJ analisaram 11 modelos de linguagem com 19.712 perguntas sobre tensões sino-americanas, revelando que sistemas de IA não são politicamente neutros. O estudo, premiado com o Best Paper Award na International Conference on Human Factors Engineering and Interaction with AI Systems 2025 em Beijing, demonstrou que os modelos respondem de forma diferente conforme o idioma e o enquadramento da pergunta.
A inteligência artificial recoloca a humanidade diante de escolhas morais e políticas que nenhum algoritmo resolve sozinho. Os Estados Unidos focam na inovação e na inteligência artificial geral, enquanto a China integra a IA ao cotidiano como infraestrutura social. A partir de Immanuel Kant, surge a pergunta central sobre quem define os princípios que orientam esses sistemas.
O Brasil enfrenta desafios e oportunidades nesse cenário. Sua posição estratégica dependerá menos da importação de soluções e mais da construção de autonomia tecnológica, formação especializada e marcos éticos robustos. Durante a COP28 em Dubai, foi lançado o AI Innovation Grand Challenge para identificar e apoiar projetos voltados a soluções baseadas em artificial intelligence and diplomacy para ação climática nos países em desenvolvimento.
IA Transforma Governança e Colaboração Entre Nações
As organizações internacionais reconhecem que a velocidade de desenvolvimento da IA exige ecossistemas políticos mais coesos. A OCDE e a ONU anunciaram em setembro de 2022, durante a Cúpula do Futuro em Nova York, uma colaboração focada em oportunidades de uso e avaliações de riscos associados à tecnologia. Ulrik Vestergaard Knudsen, representante da Secretaria Geral da OCDE, ressaltou que uma avaliação científica rigorosa deve estar no centro de uma política de governança global da IA.
No entanto, o relatório do PNUD alertou para o possível surgimento de “grande divergência” entre as nações em termos de desempenho econômico após anos de convergência nos últimos 50 anos. Philip Schellekens, economista-chefe do Escritório Regional Ásia-Pacífico do PNUD, declarou que a IA está anunciando uma nova era de aumento da desigualdade entre os países.
Nesse contexto, países propõem a criação de um organismo internacional como principal meio de controle e fomento das nações. A Europa e a América Latina e Caribe compartilham uma abordagem centrada no ser humano para utilização da IA. Analogamente, a China propôs em outubro de 2024 uma aliança internacional voltada à cooperação para desenvolvimento da inteligência artificial com ênfase na colaboração com países do Sul Global, incluindo o Brasil.
Conclusão
Observamos como a diplomacia em inteligência artificial transcende fronteiras acadêmicas e se torna essencial para o equilíbrio geopolítico. De fato, a Carnegie Mellon demonstra que universidades ocupam posições estratégicas nesse diálogo global. Evidentemente, os desafios permanecem significativos: sistemas de IA carregam vieses políticos, as desigualdades entre nações podem se ampliar e cada país busca seu próprio caminho tecnológico. Da mesma forma, vemos que a colaboração internacional representa nossa melhor resposta para construir governança ética e inclusiva dessa tecnologia transformadora.