14 Julho 2026

China Busca Autossuficiência em Ciência e Tecnologia em Novo Plano

A transformação da estratégia de china science and technology ganhou uma dimensão sem precedentes: Pequim planeja aumentar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento em sete por cento anualmente nos próximos cinco anos, buscando produzir domesticamente 70 por cento dos semicondutores que utiliza até 2025, contra os atuais 20 por cento. Dado que o governo já destinou investimentos superiores a US $150 bilhões no setor entre 2014 e 2030, essa mudança representa mais do que uma prioridade desenvolvimentista. De fato, trata-se de um imperativo estratégico que visa reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos. Neste artigo, exploramos como essa busca por autossuficiência tecnológica colide com acordos internacionais existentes e apresenta contradições significativas para a cooperação global.

China Anuncia Novo Plano Quinquenal com Foco em Autossuficiência Tecnológica

O presidente Xi Jinping anunciou, em outubro de 2025, que a autossuficiência tecnológica será o pilar central do 15º Plano Quinquenal Nacional, definindo as diretrizes econômicas da China até 2030. Segundo Xi, o plano foi formulado considerando “incertezas crescentes e fatores imprevisíveis”, sem mencionar diretamente a guerra tarifária com os Estados Unidos. O documento operou uma transformação conceitual fundamental: a construção de um sistema industrial moderno passou a ocupar o primeiro lugar entre as prioridades estratégicas, invertendo a hierarquia estabelecida no 14º Plano, onde a inovação liderava.

A autossuficiência tecnológica deixou de ser apenas um objetivo de política industrial para se tornar um imperativo de segurança nacional. O plano estabelece metas ambiciosas: elevar o número de patentes de invenção de alto valor para mais de 22 por 10.000 habitantes até 2030, ante 16 em 2024. A participação do valor adicionado das indústrias centrais da economia digital no PIB deve atingir 12,5%, comparado a 10,5% em 2025. As tecnologias priorizadas para avanços decisivos incluem circuitos integrados com processos de 3-5nm e 7-10nm, software básico, máquinas-ferramenta industriais de alta precisão e materiais avançados. O termo “inteligência artificial” aparece mais de 50 vezes no documento.

Pressões Geopolíticas Aceleram a Busca por Independência em Tecnologias Críticas

As restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos aceleraram dramaticamente os investimentos chineses em semicondutores. Em maio de 2024, Pequim lançou o Big Fund III, seu maior fundo estatal para a indústria de chips, no valor de 344 bilhões de yuans (R$ 272,55 bilhões). Este montante supera a soma das duas fases anteriores: a primeira iniciou em 2014 com 140 bilhões de yuans, seguida em 2019 por 200 bilhões de yuans. Portanto, entre 2014 e 2023, a China investiu R$ 823,46 bilhões no setor, mais que o dobro dos R$ 318,95 bilhões da Coreia do Sul e 3,6 vezes os R$ 226,16 bilhões dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o governo Biden expandiu controles de exportação que proíbem empresas de venderem chips avançados e equipamentos de fabricação para a China sem licença. Em outubro de 2022, Washington revelou restrições abrangentes visando impedir o acesso chinês aos processadores mais sofisticados da Nvidia e às máquinas de litografia da ASML. Devido a essas barreiras, a China despejou R$ 289,95 bilhões em equipamentos para semicondutores somente em 2024, superando os gastos combinados de Estados Unidos, Taiwan e Coreia do Sul. O Morgan Stanley projeta que a autossuficiência chinesa em unidades de processamento gráfico saltará de 11% em 2021 para 82% até 2027.

Contradições Emergem Entre Autossuficiência e Cooperação Internacional

Pequim enfrenta uma tensão crescente entre o discurso de abertura científica e as medidas protecionistas implementadas. Em março de 2026, durante a Conferência Anual do Fórum Zhongguancun, a China anunciou que disponibilizaria acesso a 10 das principais instalações de pesquisa do país para cientistas internacionais, incluindo o radiotelescópio FAST em Guizhou. A iniciativa visa avançar no Plano de Ação para Cooperação Internacional em Ciência Aberta, projeto iniciado em 2025 para promover um ambiente global aberto e não discriminatório. Por outro lado, três meses depois, o Conselho de Estado publicou regras abrangentes que reforçam o controle sobre operações no exterior envolvendo investidores chineses, tecnologia e dados. As normas, em vigor desde 1º de julho de 2026, exigem autorização prévia para exportação de bens, tecnologias e serviços chineses sujeitos a restrições governamentais. Consequentemente, as regulamentações vedam transferências indiretas desses ativos através do envio de profissionais técnicos ao exterior ou programas de treinamento transfronteiriços. Esta medida surgiu um mês após Pequim determinar o cancelamento da aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta. Enquanto isso, o investimento estrangeiro direto na China ficou negativo em setembro de 2023 pela primeira vez desde 1998, com saída de capital excedendo entradas em R$ 63,79 bilhões no terceiro trimestre.

Conclusão

Vimos que a China transformou autossuficiência tecnológica em prioridade máxima através de investimentos colossais em semicondutores e infraestrutura digital. Evidentemente, as restrições comerciais norte-americanas aceleraram essa estratégia, resultando em gastos recordes superiores aos de rivais combinados. Paradoxalmente, enquanto Pequim proclama abertura científica internacional, novas regulamentações restringem transferências tecnológicas e afastam investidores estrangeiros. Essa contradição define o panorama atual: um gigante tecnológico que busca independência absoluta enquanto navega crescente isolamento econômico global.

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