28 Junho 2026

Loft Orbital Testa Modelos de IA em Satélites para Observação da Terra

Pela primeira vez na história, um satélite de observação da Terra encontrou exatamente o que procurava, de forma completamente autônoma, sem a necessidade de analistas humanos no solo. A Loft Orbital alcançou esse marco histórico em abril de 2026, utilizando um modelo de visão-linguagem em órbita. Atualmente, a empresa opera 12 espaçonaves em órbita e está expandindo rapidamente suas capacidades de inteligência artificial no espaço.

Neste artigo, vamos explorar como o satélite YAM-9 realizou essa análise pioneira, entender o funcionamento da tecnologia de IA em órbita e descobrir os planos ambiciosos da Loft Orbital para o futuro da observação terrestre autônoma.

Satélite YAM-9 Realiza Primeira Análise Autônoma no Espaço

O satélite YAM-9, construído pela Loft Orbital, conseguiu identificar áreas de interesse respondendo a consultas em linguagem natural. A espaçonave carrega um pacote de software desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, conhecido como NAVI-Orbital. Esse sistema funciona como a estrutura operacional para o modelo Gemma 3, da Google DeepMind.

O Gemma 3 é um modelo de visão-linguagem projetado especificamente para aplicações de borda, permitindo sua execução em hardware com recursos limitados. Simultaneamente, ele processa comandos em linguagem natural e analisa imagens capturadas. Em particular, os testes demonstraram sua capacidade de classificar áreas onde o ambiente natural encontra o desenvolvimento humano, além de identificar infraestruturas adjacentes a centros ferroviários.

Juan Delfa Victoria, líder técnico do grupo de IA do JPL, coordenou o desenvolvimento do NAVI-Orbital. A equipe realizou otimizações rigorosas para reduzir o uso de memória e bibliotecas necessárias. Assim, o software consegue operar dentro das restrições do ambiente orbital.

O YAM-9 foi lançado no outono de 2025 e está equipado com uma GPU Nvidia Jetson Orin AGX. Esse hardware representa um dos processadores mais avançados utilizados em computação espacial.

Como a Tecnologia de IA Funciona em Órbita

O processamento a bordo transformou satélites em nós inteligentes de rede, capazes de analisar e organizar dados diretamente no espaço. Na prática, isso elimina a dependência total de estações terrestres para gestão de tráfego. Os satélites executam funções típicas de rede, incluindo demodulação, comutação e alocação dinâmica de capacidade, ainda em órbita.

Essa autonomia permite a coleta e entrega quase em tempo real de imagens de observação da Terra em escala. Tradicionalmente, satélites coletam grandes volumes de dados e os enviam para processamento no solo. A necessidade de informações imediatas exige processamento instantâneo, especialmente crítico para constelações que processam dados de centenas de satélites.

O hardware utilizado pela Loft Orbital oferece até 275 trilhões de operações por segundo. Esse desempenho representa 8 vezes mais capacidade que a geração anterior, permitindo a implantação de modelos grandes e complexos. O sistema entrega 200 trilhões de operações por segundo em IA, processando compreensão de linguagem natural, percepção 3D e fusão multissensorial.

Processadores embarcados precisam resistir à radiação e operar por anos sem manutenção física. Os módulos funcionam com potência configurável entre 15W e 60W, utilizando memória de 204,8 GB/s de largura de banda.

O Que a Loft Orbital Planeja para o Futuro

A Loft Orbital estruturou sua estratégia em dois horizontes distintos. O primeiro concentra-se nas implantações atuais, priorizando missões físicas simples, rápidas e confiáveis para clientes. Atualmente, estamos em um ponto de inflexão, passando de alguns satélites por ano para mais de 10. O cronograma para 2025 inclui múltiplas constelações, como EarthDaily e a Agência de Desenvolvimento Espacial, além de vários programas de compartilhamento de lançamentos.

Por outro lado, a empresa criou uma nova unidade de negócio dedicada à inteligência artificial no espaço, designada AI for Space. Paul Lasserre, ex-líder de Parcerias de Dados e IA Generativa na Amazon Web Services, assumiu como gerente geral desta divisão. Ele busca transformar satélites em sistemas inteligentes e autônomos, capazes de compreender em tempo real aquilo que observam.

O objetivo final passa por construir uma constelação de 50 a 100 satélites para garantir cobertura em tempo real de qualquer ponto do planeta. A empresa planeja criar um marketplace de aplicações de IA nos seus satélites, permitindo que entidades governamentais e parceiros comerciais desenvolvam e implementem algoritmos diretamente na infraestrutura orbital. Atualmente, executamos missões virtuais no YAM-6 diariamente para parceiros como Helsing, Microsoft, Agenium e NTT.

Conclusão

A Loft Orbital demonstrou que satélites autônomos representam o futuro da observação terrestre. O YAM-9 provou que modelos de IA podem operar efetivamente no ambiente espacial, processando dados em tempo real sem intervenção humana. Assim, nossa visão de uma constelação inteligente de 50 a 100 satélites torna-se cada vez mais tangível. Estamos construindo não apenas uma frota orbital, mas um ecossistema completo onde algoritmos personalizados podem ser implantados através do marketplace de IA, transformando definitivamente a maneira como observamos nosso planeta.

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