30 Janeiro 2026

Nova era da Fórmula 1 começa com reviravolta nos bastidores e novo favorito ao título

A entressafra entre as temporadas de 2025 e 2026 da Fórmula 1 já cruzou sua metade, e todas as atenções se voltam para o Grande Prêmio da Austrália. A corrida no Circuito de Albert Park, marcada para o início de março, não será apenas a abertura do campeonato, mas o pontapé inicial de um ciclo regulatório completamente novo na categoria. Com mudanças tão drásticas no horizonte, a incerteza sobre a hierarquia das equipes é o tema dominante no paddock.

Historicamente, novos regulamentos costumam sacudir o grid. Vimos a Red Bull dominar os primeiros dois anos e meio da era do efeito solo, antes de a McLaren assumir o protagonismo na última temporada e meia. Esse período sucedeu a hegemonia de oito anos da Mercedes no início da era híbrida. Agora, contrariando as expectativas iniciais que apontavam o atual campeão Lando Norris ou o tetracampeão Max Verstappen como favoritos absolutos, o mercado reagiu de forma surpreendente às movimentações de bastidores.

George Russell assume a ponta nas casas de apostas

O novo favorito para vencer o campeonato de 2026 não veste as cores da McLaren, nem da Red Bull. Trata-se de George Russell, da Mercedes.

Na FanDuel Sportsbook, Russell aparece liderando as cotações com +230, superando Verstappen (+240) e deixando Norris, antes o principal candidato, numa distante terceira posição com +430. Oscar Piastri e Fernando Alonso aparecem empatados com +900, enquanto o novato Kimi Antonelli, companheiro de Russell, surge com +1300. Essa mudança de percepção não é infundada: Russell consolidou-se como o líder da Mercedes na era pós-Lewis Hamilton, sendo o único piloto fora da bolha McLaren-Verstappen a vencer um GP em 2025.

A ascensão de Russell e a manutenção de Verstappen como uma ameaça constante — mesmo após a Red Bull perder terreno para a McLaren — estão diretamente ligadas a rumores de que a equipe de Woking não estaria no patamar desejado para 2026. No entanto, o fator decisivo para essa reviravolta nas probabilidades reside em uma questão técnica muito mais profunda e polêmica: os motores.

A “Guerra dos Motores” e a brecha no regulamento

A súbita confiança no desempenho da Mercedes e da Red Bull Powertrains tem explicação na engenharia. Discussões recentes indicam que ambas as fabricantes encontraram uma maneira de explorar uma “zona cinzenta” nas novas regras de unidades de potência. O regulamento estipula uma taxa de compressão máxima de 16:1 para os motores de combustão interna (reduzida dos anteriores 18:1), mas a fiscalização dessa medida é feita com o motor “frio”.

Informações de bastidores apontam que Mercedes e Red Bull estariam utilizando metalurgia avançada e materiais específicos que permitem dilatar e alterar a geometria da câmara de combustão quando o motor está quente, em pleno funcionamento. Isso elevaria a taxa de compressão para além do limite de 16:1 na prática, sem violar o texto frio da regra.

A vantagem estimada desse artifício gira em torno de 10 cavalos de potência, o que poderia se traduzir em alguns décimos de segundo por volta. Considerando que os motores já passaram pelo processo de homologação meses atrás, qualquer vantagem obtida agora está “congelada” e garantida até 2027.

Reunião termina sem acordo e tensão aumenta

A tentativa da FIA e das fabricantes de resolver esse impasse antes da largada em Melbourne fracassou. Uma reunião realizada recentemente entre a federação e as montadoras terminou sem consenso sobre métodos alternativos para medir a conformidade da taxa de compressão. Ferrari, Honda e Audi foram vocais em suas reclamações, sentindo-se prejudicadas pela interpretação do regulamento adotada pelas rivais.

Houve propostas para a instalação de sensores na câmara de combustão, o que permitiria à FIA ler os dados com o motor quente, mas a ideia não obteve apoio unânime e foi descartada. Representantes da FIA, segundo fontes, defenderam as escolhas técnicas originais do regulamento, mantendo o status quo.

Mattia Binotto, chefe do programa de F1 da Audi, expressou sua frustração durante o lançamento da equipe em Berlim. Ele esperava que o encontro definisse diretrizes claras para o futuro, mas tudo permaneceu estagnado. Diante desse cenário, a temporada de 2026 deve começar imersa em controvérsia. É muito provável que protestos oficiais sejam protocolados já no primeiro Grande Prêmio, elevando a tensão política a níveis máximos logo na estreia da nova era.