Queda de gigantes – O que deu errado para Brasil e Alemanha na Copa do Mundo FIFA 2026?
Duas seleções, nove títulos mundiais. Brasil e Alemanha, sem surpresa, sempre iniciam todas as Copas do Mundo da FIFA como desafiantes ao título. Mesmo assim, em 2026, ambos foram mandados embora por visitantes raros do torneio.
O Paraguai venceu a Alemanha nos pênaltis e a Noruega fechou a porta para o Brasil.
Nas últimas 22 edições do torneio, pelo menos um dos dois chegou à final 14 vezes, o que levanta a questão: Brasil e Alemanha interpretaram mal o roteiro?
A Alemanha, comandada pelo jovem técnico Julian Nagelsmann, chegou à Copa do Mundo de 2026 com uma combinação de juventude e experiência, mas sua seleção levantou diversas questões sobre continuidade.
Manuel Neuer, o único membro remanescente da seleção de 2014, retorna como número 1 da Alemanha após dois anos. Ao fazer isso, ele substituiu Oliver Baumann, que Nagelsmann já havia endossado como seu goleiro titular.
Resultado: a Alemanha não conseguiu manter o placar limpo pela segunda Copa do Mundo consecutiva. Neuer foi o gol em ambas as campanhas.
Uma longa temporada nacional e as lesões subsequentes não ajudaram a causa da Alemanha.
Serge Gnabry, também o artilheiro da seleção alemã de 2026, perdeu o torneio devido a uma lesão na coxa. Nico Sloterbeck machucou o tornozelo durante a Copa do Mundo, forçando a Alemanha a buscar opções contra o Paraguai.
A eleição também se revelou dispendiosa. Deniz Udaw, atacante, à frente de Jamal Musiala, meio-campista ofensivo, mudou a forma do time no meio do torneio. Undav brilhou como super-substituto, marcando dois gols e dando muitas assistências. Mas, como titular contra o Paraguai, quase não ameaçou. Ele não conseguiu acertar o gol e completou apenas 60% de seus passes.
“Continuamos tratando os sintomas. Mudamos o sistema, a escalação e as posições dos jogadores com muita frequência. Estamos em constante debate sobre como a Alemanha realmente quer jogar”, escreveu Philipp Lehm, capitão da seleção alemã vencedora de 2014. O jornal New York Times.
Philipp Lehm, centro, condenou as condições para a Alemanha, ao ver seu país sair da segunda fase 12 anos depois de vencer a Copa do Mundo em 2014. | Crédito da foto: AP
Philipp Lehm, centro, condenou as condições para a Alemanha, ao ver seu país sair da segunda fase 12 anos depois de vencer a Copa do Mundo em 2014. | Crédito da foto: AP
A Alemanha é uma das seleções com maior pontuação na história da Copa do Mundo. No entanto, tem lutado para produzir goleadores de elite no maior palco desde Miroslav Klose e Thomas Muller, dois ícones da seleção de 2014.
“… A Alemanha sempre foi mais forte quando pegou nas qualidades individuais, casou-as com uma mentalidade forte e determinada, colocou os seus melhores jogadores em campo e transformou-os numa verdadeira unidade. Isso não está a acontecer. É preciso um grupo central para assumir a responsabilidade”, acrescentou Lahm.
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O apelo de Lahm à “responsabilidade” não poderia ter sido mais claro do que antes do tiroteio. Leon Goretzka, Waldemar Anton, Nathaniel Brown e Malik Thiaw teriam se recusado a cobrar o pênalti, deixando Jonathan Tah, que nunca havia cobrado um pênalti no futebol internacional sênior, se adiantar e marcar.
O Brasil, por sua vez, teve falhas diferentes, embora a seleção também tenha permanecido um grande ponto de discussão, principalmente em torno de Neymar, o maior artilheiro do país no futebol masculino.
O ex-atacante do Barcelona, de 34 anos, chega ao time depois de quase três anos no comando, após registrar seis gols e quatro assistências em todas as competições na temporada passada. João Pedro, artilheiro do Chelsea na temporada 2025-26 com 20 gols e nove assistências, foi esquecido. O patrimônio, aqui, superou a forma e voltou para morder o Brasil.
“Acho que esta eliminação começa com decisões no banco”, disse Ronaldo Nazario, citado pelo canal espanhol AS. “Carlo Ancelotti é um dos melhores treinadores da história do futebol, mas esta noite cometeu muitos erros.
“Ainda não entendo por que João Pedro não fez parte deste time. Ele fez uma ótima temporada, está em boa forma e o Brasil precisava de um atacante que pudesse oferecer algo diferente”.
João Pedro, que marcou quase à vontade pelo Chelsea na temporada 2025-26, foi esquecido na seleção brasileira para a Copa do Mundo, apesar de ter um histórico recente melhor do que o de Neymar. | Crédito da foto: REUTERS
João Pedro, que marcou quase à vontade pelo Chelsea na temporada 2025-26, foi esquecido na seleção brasileira para a Copa do Mundo, apesar de ter um histórico recente melhor do que o de Neymar. | Crédito da foto: REUTERS
Lesões e má tomada de decisões também prejudicaram o Brasil. Rafinha e Lucas Paquetá, ambos titulares do time titular, lutaram contra lesões no meio do torneio.
Enquanto isso, Andric, um dos adolescentes mais promissores do futebol mundial, marcou apenas 111 minutos em quatro partidas. Bruno Guimarães cobrou o pênalti do brasileiro, que foi defendido por Orjen Nyland, apesar de ter marcado menos gols de pênalti pelo seu clube do que Vinicius Jr.
“Sempre que ele (Andric) veio para este torneio, trouxe energia, agressividade e irresponsabilidade. Mesmo assim, passou a maior parte da Copa do Mundo no banco. Não entendo”, acrescentou Ronaldo. Os cortes eram óbvios. Faltou o Joga bonito brasileiro. A ordem de atacar para marcar gols e jogar para vencer tornou a Seleção perigosa e às vezes intimidante. Essa virtude foi agora substituída pela cautela.
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O Brasil teve 34 por cento de posse de bola contra a Noruega, a mais baixa em uma partida da Copa do Mundo desde que os registros começaram em 1966. A Noruega teve mais precisão de passe (91 por cento), mais chutes a gol (5) e mais que o dobro do número de passes (653 contra 313). O Brasil confiou nos contra-ataques, perdeu a posse de bola e acabou sofrendo com um ataque curto contra uma defesa envelhecida, à medida que o espírito dos canários amarelos se desvanecia da Copa do Mundo.
Parte da culpa deve recair sobre Ancelotti que, apesar do seu currículo impressionante, não conseguiu se recompor quando mais importava. Alguma responsabilidade também deve recair sobre os jogadores, que perderam duas oportunidades claras de gol, uma de Guimarães e outra de Andrique.
Mas cabeças devem rolar antes que seja tarde demais. O Brasil nunca esperou mais de 24 anos para reconquistar a Copa do Mundo. Sair em 2026 significa que a atual seca continuará até 2030.
“Se eu fosse o presidente da Federação Brasileira de Futebol, rescindiria imediatamente o contrato com Ancelotti. Não há razão para ele permanecer como técnico”, disse Romeu, que venceu a Copa do Mundo de 1994 com o Brasil, em seu canal no YouTube.
Brasil e Alemanha, dois títulos da Copa do Mundo, desapareceram como resultado de más decisões.
A Alemanha já iniciou a sua reconstrução, com o vencedor da UEFA Champions League, Juergen Klopp, a substituir Nagelsmann.
No entanto, o brasileiro deverá ficar com Ancelotti até 2030.
Carlo Ancelotti (à direita) deixou o Real Madrid depois de se tornar o técnico de maior sucesso, mas sua tarefa no Brasil continuará difícil após a eliminação do time nas oitavas de final. | Crédito da foto: AP
Carlo Ancelotti (à direita) deixou o Real Madrid depois de se tornar o técnico de maior sucesso, mas sua tarefa no Brasil continuará difícil após a eliminação do time nas oitavas de final. | Crédito da foto: AP
Durante décadas, o roteiro da Copa do Mundo quase sempre fez com que Brasil e Alemanha se distanciassem. Mas em 2026, foram mais uma vez lembrados de que a história não garante nada. A menos que os dois gigantes redescubram as identidades que os tornaram campeões, o próximo roteiro pode não os apresentar.
Publicado em 22 de julho de 2026