Talvez estejamos cansados de existir

Talvez estejamos cansados de existir

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É nítido que vivemos nossa Idade Média – não apenas pelo fator tempo de existência da uma sociedade, mas por características semelhantes a conhecida Idade das Trevas, haja visto a semelhança que mais tem influência em nosso momento: a Igreja no poder.

Esta entidade, assim como a mídia, tem a função de controle de massa, guiando pensamentos, ações e gerando consequências, por vezes, sem reparo. Não mede esforços em prol dos próprios interesses elitistas.

O consumismo impera, as cidades são projetadas para as máquinas, os relacionamentos são superficiais e/ ou virtuais, os comportamentos são automatizados, e a produção de seres modelo é incansável.

O ser humano, constantemente oprimido, é como em qualquer amontoado de massa, vai dando sinais de fadiga e uma hora estoura. Vemos as consequências na quantidade de usuários de drogas e na violência doméstica, atingindo principalmente crianças e mulheres, porque estes são vistos com frágeis, inferiores, incapazes física e intelectualmente, segundo a nossa sociedade patriarcal e gigantescamente ignorante.

Diversas áreas apontam para soluções, que são desprezadas sem a menor cerimônia. Sabemos que a elite, monopolista de recursos, tem copiado um modelo defasado e enfiado goela abaixo dos menos abastados, cientes do resultado, tudo em nome do lucro.

Não é à toa que pipocam iniciativas individuais e coletivas, de uma turma não disposta a esperar cultura, saúde e educação de um governo preocupado em saber o que as pessoas fazem com seus genitais.

Essas iniciativas denotam a força popular para ações com resultados efetivos – que podem não ser vistos, mas sentidos, pois gerar o questionamento, a discussão, colocar o tabu em pauta e ajudar as interrogações brotarem a cada passo a passo do processo programado, também é um resultado.

Talvez estejamos cansados de apenas existir. Talvez estejamos empenhados em, de uma vez por todas, e com muita dignidade, VIVER.

Guilherme Bolina

Guilherme Bolina

Interpretador/ transcritor de mundo – letras, números, cores e sons são meus instrumentos. Inquieto, questionador, subversivo, incisivo, ouvinte. Artista visual, aspirante a arquiteto urbanista.

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