Rubem Carvalho e os Cavaleiros no Chico Mendes

Cavaleiros no Chico Mendes na Visão de Rubem Carvalho

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"O evento é positivo, mas é necessário fazer alguns ajustes", afirma Rubem Carvalho, ex-diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Hortolândia durante o governo Perugini, que gentilmente nos cedeu uma entrevista, no último dia 5, e falou do seu ponto de vista sobre o evento que se destacou pela presença de muitos animais, música sertaneja, mulheres bonitas e cavaleiros no Chico Mendes (Parque Socioambiental Chico Mendes). Trata-se do conhecido "Desfile dos Cavaleiros" organizado pela Associação dos Cavaleiros de Hortolândia. Assista a entrevista e leia o texto com suas colocações:

As cidades são constituídas de espaços e pessoas. Cidade sem vida vira espaço fantasma. Hortolândia tem um parque chamado “Chico Mendes” que deve ser aproveitado na sua plenitude, de manhã, tarde, noite, fim de semana e dia de semana. Caminho e pedalo todos os dias que posso nesta local e vejo muitas pessoas caminharem e usarem bastante este espaço. É o movimento das pessoas numa cidade urbanizada, a qual tem a necessidade de integrar as crianças e os jovens com a vida rural.

Neste contexto, assisti ontem, neste parque, um encontro, uma festa de cavaleiros. Logo bem cedo ouvi o barulho das patas dos cavalos circulando pelas ruas, e me senti voltando às minhas origens, à minha terra, e isso me encantou.

Gente animada e vestida a rigor foi chegando. De Jundiaí a Limeira, de Itatiba a Monte-Mor vinham carros tentando encontrar estacionamento. Charretes, cavalos, mulas, jumentos, pôneis e até touro de cela tentavam se acomodar no espaço. Com cheiro de curral, moça bonita passeando no gramado e crianças alegres com vestimentas de cowboy se misturavam exibindo suas habilidades em montaria fazendo um domingo no parque muito diferente.

No entanto, o palco principal ficou tímido diante de cantores e dançantes em cima de suas camionetes velhas e novas com sons potentes; e neste meio, foi surgindo churrasqueiras e caixas térmicas, cada um onde conseguia. Em determinado momento, a disputa pra ser ouvido na ostentação e disputa por audiência formou “uma zoeira só”, sem dar para entender uma só mensagem ou letra de música.

Já com os animais domésticos de grande porte, observei que alguns eram amarrados perversamente junto às poderosas caixas de som. O som emitido por estas caixas não é compatível com a audição dos animais ali presentes e de nenhum outro. Se não há uma separação dos animais em relação ao som, então, nós estamos trabalhando de forma danosa com o bem estar animal. Se uma autoridade ambiental chegasse ao parque com uma denúncia de que havia cavalos amarrados a caixas de som numa “tortura musical” na cabeça deles, o evento seria interditado. Isso está na lei 9.405 de crimes ambientais de 1988. No Brasil, nós estamos muito acostumados a fazer tudo na base do improviso e vamos ver que depois não acontece nada. Mas acontece sim.  E se um animal assustado se solta, empina, atropela e pisa na cabeça de uma criança? O Parque Chico Mendes será rotulado pelo resto da vida como “o parque que mata crianças”.

Lamentei profundamente quando cheguei ao parque, no dia seguinte, e vi um monte de lixo. O esterco dos cavalos foi dissolvido pela própria natureza, mas o resultado da ação humana foi uma vergonha. Ficou muito lixo para trás.

Mas todos estes problemas de estacionamento, poucos banheiros químicos, ausência de um local adequado para os animais, a mistura de sons e a sujeira observada no dia seguinte é indicativo da falta de uma regimentação do Poder Público para normatizar estas questões. Isso tem que ser previsto no licenciar um evento.

Este evento foi positivo, mas é necessário ajustes, os quais preocupam os participantes, visitantes e o cidadão hortolandense.

Assim, o dia de sol foi curto e a noite recebeu alegre até tarde os sorrisos, as danças e as prosas dos incansáveis amantes da vida sertaneja; cada um a seu próprio modo.

O Chico Mendes passou no teste. Com muita sombra, água corrente e fácil acesso, o parque abrigou lazer, entretenimento, esporte e cultura socializada.

Os cavalos, animais de montaria, sugerem longas caminhadas, encurtamento de distâncias, o transporte de riquezas e a união de povos. Cavalos e cavaleiros colocaram em Hortolândia mais um elo na corrente que pode unir a cultura equilibrada da RMC – Região Metropolitana de Campinas.

Festa é festa, desfile é de cavaleiros, mulher bonita é pra se ver e peão trabalhador é pra se elogiar.

Com vontade política saudável a cidade pode e deve oferecer ao bem-estar animal, conforto na promoção e convivência com os humanos; numa agenda positiva permanente para a qualidade de vida que sonhamos: em viver momentos bem perto de onde moramos, sem nos esquecer de onde viemos.

Rubem Carvalho

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

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