Quando o Impeachment se torna Golpe?

Quando o Impeachment se torna Golpe?

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A minha ideia não é indicar vencedor de qualquer que seja o lado político dos leitores, mas que possamos exercitar a possibilidade de uma discussão política que nos impacte diretamente, uma vez que esse debate está relacionado ao representante maior do nosso Estado. Nesse artigo irei discutir se podemos ou não identificar o processo tramitado na câmara como impeachment ou golpe.

Pós-redemocratização do país ao fim da ditadura militar, esse é o segundo presidente que sofre processo de impeachment, contabilizando apenas os presidentes com votos diretos, de Collor pra cá esse número representa 40% dos presidentes eleitos.

Pra se ter uma ideia os EUA em todo o século 20 tiveram somente 02 casos e Bill Clinton, o mais recente, em 1999, ainda foi absolvido pelo senado. Com um a análise fria, esse número deve nos trazer reflexões sobre como governo e oposição pensa política no Brasil.

Vamos aprofundar um pouco nisso.

Para que possamos discutir a relevância do atual quadro, é necessário que entendamos os argumentos que motivaram o processo contra a presidenta. Que foi:

Crime de improbidade administrativa – a alegação foi o crime de responsabilidade devido às pedaladas fiscais. Os juristas alegam que essa “prática” se deu a partir de adiantamentos realizados pela Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil a diversos programas federais de responsabilidade do Governo Federal.

É relevante adicionarmos a reflexão desse texto um padrão de justiça popular para cobrança administrativa do governo, seja em qual esfera for, ou seja, nenhum outro governador ou prefeito no Brasil adota esse tipo de prática pela qual a presidenta foi acusada? Se sim, automaticamente estamos sendo influenciados por uma onda de ideais partidários.

A cobrança através de manifestações, movimentos políticos entre outros vem tendo a mesma energia e equidade para todos os setores da política que governam de acordo com esses argumentos listados no processo de Impeachment? Se não, é necessário termos cuidado com as opiniões expressadas sobre comprometimento social pela luta ao fim da corrupção, um ideal motivado apenas pela emoção sem qualquer fato que sustente o argumento se torna insuficiente se comparado à realidade que as investigações vêm trazendo sobre aqueles que dirigem o processo atual de retirada da presidenta.

Voltando aos números do segundo parágrafo, a política atual no país me fez lembrar do Egito antigo, onde se guerreavam por um pedaço de chão em meio a uma imensidão de terras livres. Embora fosse a crença a motivação por várias dessas guerras, essa prática é muito parecida ao nosso cenário atual, basta ver como Deus, entre outras situações de fé, é citado em cada pronunciamento, e como a conquista de espaço é disputa palmo a palmo por meios legais e ilegais a troco do trono.

Não há, por qualquer que seja o partido, uma oposição sadia, que lute a favor do todo. O individualismo político faz com que a derrota nas urnas seja motivo de lutas judiciais e que processos de impeachment sejam solicitados. E isso não é exclusividade de um ou de outro partido, é prática de quem automaticamente exerce o papel de oposição. Isso faz com que o governo pratique uma administração para se manter no poder e assim desvia o foco do que precisa ser sua principal responsabilidade, a qual temos o compromisso de cobrar.

É imprescindível um olhar atento e crítico dos eleitores em relação a essa disputa pelo poder – pela maioria da câmara e por maior território político. Isso pode sempre ser reparado através do voto, pela renovação, o país paga um alto preço pela omissão política de seu povo, omissão em expressar, em cobrar e principalmente na capacidade de votar.

Não devemos nos curvar a princípios ultrapassados, carregados de preconceitos, nos alimentando de ódio por opiniões contrárias. Devemos sim, é entender o porquê dessas divergências e entender que a frustração geral é estimulada por maus governantes. Portanto, esses elementos devem ser utilizados para mudança e transformação de uma nova política, isso só se constrói com união.

Quando o Impeachment se torna Golpe?
Quando se consolida a substituição dessa figura pública no momento que tantas outras partilham da mesma condição ilegal, sendo pelos mesmos motivos torpes ou diferentes crimes. Estamos confirmando a nossa posição partidária, mesmo que involuntariamente, pois o único beneficiado será aquele que assumir a condição de líder máximo. Se isso de fato acontecer, se a tranquilidade pairar sobre nossos lares com argumentos pífios de uma movimentação minúscula do dólar, ou de uma alta natural por mera especulação da bolsa de valores, assim, o país estará perdendo a maior oportunidade da sua história: a de propor uma nova dinâmica, a nossa política.

A democracia poderá ter os dias contados abastecendo com oportunidades os oportunistas para que tomem suas decisões baseadas no próprio interesse do partido.

Ilustração em destaque: www.juniao.com.br

Felipe de Oliveira José

Felipe de Oliveira José

Graduado em Economia, atua a mais de 7 anos na indústria farmacêutica e escreve artigos de caráter econômico e político.

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