Eleições 2012 em Hortolândia

Eleições 2012 | Propaganda Política e Sujeira

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“Falta de respeito à justiça, ao município e ao cidadão” (1)

“Para a Sociologia Eleitoral as campanhas políticas, de cunho marcadamente propagandístico, possuem bem menos significado nas decisões dos eleitores do que imaginam os políticos (…) a propaganda política é aceita, ou não, conforme a opinião e interesses das pessoas e essas são influencidas pelas estruturas sociais, econômicas, educacionais, de gênero, etc., sendo mais acurado falar em termos de uma negociação constante entre eleitores e propaganda política, em vez da postura tradicional do eleitor como massa passiva e manipulável.” (2)

O que percebemos no dia das eleições 2012, no município de Hortolândia, são candidatos que estão tratando a propaganda política, principalmente quando falamos de panfletos, santinhos, foldes, etc., como meio de manipulação da massa eleitoral (quanto mais sujeira de materiais propagandísticos mais votos – veja o gráfico abaixo). No conceito de “influência da massa” a maior parte do povo hortolandense seguiu o que a maioria está apoiando ou falando; não tendo como base para a sua decisão de voto, nenhum estudo do plano de governo, histórico de conflitos, erros e êxitos de cada candidato.


 
Falando da imprensa, Cony (2012) afirma que há três tipos de leitores: os que acreditam em tudo, os que já não acreditam em coisa alguma e os que submetem à crítica para chegarem a um julgamento seguro das informações recebidas (3). Aplicado aos eleitores podemos classificar em três tipos também: 
  • Primeiro tipo: é que aquele que aceita tudo que ouvem e lhe dizem; geralmente são pessoas de classes econômicas inferiores que não receberam educação adequada e desta forma, são facilmente manipuladas pelos candidatos que lhes prometem e realizam coisas temporais a troco do voto (dinheiro, dentadura, cesta básica, etc.);
  • Segundo tipo: é aquele que já não acredita em nenhum político e julga que qualquer dos candidatos que vencer as eleições será corrupto no exercício da função, por isto pode se abster, votar em branco ou anular o voto e
  • Terceiro tipo: é um grupo, infelizmente, que poucos fazem parte, porque pensam por si mesmos e não tomam a decisão do voto baseada apenas nas palavras e promessas dos candidatos, mas analisam e criticam os fatos, estudam as propostas e a sua evolução ao longo da história do município e tomam a decisão, a mais sensata possível, no momento do voto.

Como os candidatos estão conceituando a justiça, o município, o meio ambiente e o cidadão ao jogar tantos papéis propagandísticos nas ruas e assim torná-la um depósito de lixo? É assim que pretendem governar o município de Hortolândia? Com muita sujeira? O que estão dizendo é que “não vão respeitar nada e ninguém”, e que o eleitor (cidadão) é apenas uma massa passível e manipulável. Quanto ao governo, se supõem, que será sujo ou continuará sujo, assim como a sua campanha eleitoral. Ao invés de “Hortolândia, daqui pra melhor”, podemos começar a supor uma “Hortolândia, daqui pra pior” tendo em conta tanto lixo!

Dentre uma amostra (dois punhados) de 232 materiais propagandísiticos (panfletos, santinhos, foldfers) em frente ao portão de entrada da Escola Estadual Manoel Ignácio (07/10/2012), 141 eram materiais vinculados à candidatura do Sr. Antônio Meira (PT), 86 ao Sr. George Julien Burlandy, 5 do Sr. Walter Bernardo e não encontramos na amostra nenhum material vinculado à campanha do Sr. Fernando Ladeia. Se considerarmos o “lixo propagandístico” como fator eliminatório à vitória nas eleições, o candidato do PSOL, Fernando Ladeia seria o vencedor destas eleições, ao contrário do Sr. Antônio Meira e sua equipe que deveriam, pelo menos agora, ao invés de fazer carreata de festejo pela vitória “suja”, se unirem e limpar a cidade (sem usar recursos públicos, pois este é do povo), a exemplo de seus amigos de São Paulo (veja o vídeo abaixo); no entanto o que ocorreu no dia seguinte e mesmo no próprio dia das eleições, foi vermos civis e funcionários públicos dando conta da sujeira.

A equipe “Compromisso pela Vida” também poderia ter ajudado nesta limpeza. A porcentagem de material propagandístico de Walter Bernardo foi tão baixa que o Meira e o George sozinhos poderiam dar conta. O vencedor da campanha eleitoral limpa ficou para o Sr. Fernando Ladeia que desde o início propôs este tipo de campanha e apresentou uma porcentagem de votos superior à porcentagem de sujeira (ver grafico acima). E a todos nós, o povo, não votemos em candidatos de campanhas eleitorais sujas (1).

 
Notas
(1) Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Júnior (Presidente da Comissão de Propaganda Eleitoral de Belo Horizonte). Hoje em dia: onde Minas encontra o mundo. Vídeo: Sujeira nas Eleições. Veja o vídeo abaixo.
(2) FIGUEIREDO e PASCHOALINO, Sociologia eleitoral: a disciplina do sufrágio. Revista Sociologia, nº 41, Jun/Jul de 2012, p. 31.
(3) CONY, Carlos Heitor. Academia Brasileira de Letras. Imprensa, poder e força. Folha de São Paulo (21/09/2012).
 

Leandro Bolina Nascimento

Jornalista e fundador do Hortolândia NEWS.

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