Paulão Fala Sobre a Luta dos Servidores pelos 41%

Paulão Fala da Luta dos Servidores pelos 41%

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No dia 10 de abril de 2014, o presidente da Câmara dos Vereadores, Paulo Pereira Filho (PPL), mais conhecido como Paulão, concedeu uma entrevista exclusiva para tratar do assunto da paralisação dos servidores públicos ocorrida no dia 25/03 e também esclarecer aspectos relacionados com a reunião que alguns vereadores tiveram com um grupo de servidores em dezembro de 2013. Neste contexto, o eixo principal da entrevista foi sobre a acusação dos servidores públicos que dizem que o sindicato realizou uma Assembléia que teve como resultado uma ATA fraudulenta aprovando o Projeto de Lei do prefeito Antônio Meira que propunha, na época (dez/2013), uma reposição salarial de 25%, sendo que 16% já havia sido reposto no governo Perugini, totalizando então, 41%. No entanto, estes 16%, segundo o próprio sindicato e os servidores públicos, é uma média, sendo que alguns receberam muito mais e outros muito menos.

Segundo Paulão, o grupo de servidores, que estiveram na Câmara em dez/2013, não poderia ter sido ouvido, pois a Câmara fora proibida no passado de conversarem com uma associação de professores por liminar na justiça movida pelo Sindicato. "Se fôssemos seguir a mesma decisão, não deveríamos ter falado com eles para evitar problemas com o sindicato, mas abrimos uma exceção", afirmou Paulão.

Afirmou ainda que a acusação que estavam levantando contra o Sindicato com respeito à fraude na ATA da Assembléia não era papel para o Poder Legislativo. Segundo Paulão, "a maior parte do tempo eles ficaram tentando falar pra gente que o que aconteceu no sindicato foi um equívoco, foi manipulado; falaram inúmeras questões sobre isso, inclusive o advogado falando isso. Eu disse como presidente da Câmara que não nos cabe entrar nessa seara, não é papel nosso, do poder legislativo, discutir se a assembleia do sindicato foi ou não correta". Assim, quando questionado a quem cabe esta função sobre o que aconteceu na Assembleia, disse que "cabe aos próprios membros do sindicato, cabe aos próprios associados recorrerem a essa decisão, seja interna, no próprio sindicato, ou na justiça comum".

Ao longo da entrevista, diz ainda que os vereadores da Câmara possuem inúmeras divergências políticas e ideológicas e em alguns casos, divergências muito profundas; mas sempre que se fala em "servidores" há uma posição unânime, na qual todos votam favorável se o projeto de lei for em benefício dos mesmos. No entanto, o grupo, nesta reunião, disse que os 25% não lhes interessava, desta forma, o vereador propôs que entregassem um abaixo-assinado com 50% dos servidores mais 1. Procedimento que o grupo disse que já que já estava sendo articulado.

Quando a lei chegou do Executivo, o vereador Paulão ligou pessoalmente para o advogado Dr. Berto Bosco, mas nenhum servidor procurou a Câmara depois disso. "Quando chega a lei, eu liguei pessoalmente para o Dr. Berto Bosco no escritório dele e ele (…) estava em uma audiência. Eu falei com o assistente dele (…): avisa o Dr. Berto que a lei da qual eles falaram conosco chegou na Câmara e que a gente precisa saber qual é o encaminhamento que eles estão tomando com relação às assinaturas, avisa ele que a lei chegou (…). Ninguém nos procurou, ninguém nos ligou. Supomos que não conseguiram as assinaturas e não estavam tão articulados  (…). Entendemos que a maioria dos servidores deve ser favorável (…). No dia da sessão vieram aqui 6 ou 7 pessoas que não se identificaram e ficaram sentandos no plenário, na mesma fileira, não falaram nada com ninguém. Quando acabou a sessão e houve a votação, essas pessoas se levantaram e saíram fazendo gestos obscenos (…). Supomos que eram pessoas ligadas à alguma tendência que era contrária à votação".

No entanto estas 6 ou 7 pessoas que estiveram na sessão não falaram nada com ninguém: "Não falaram uma única palavra (…) e é por isso que eu fiquei entristecido e disse que houve, que tão mentindo quando falam da posição; e aí na manifestação disseram que 'o Paulão disse que os servidores são mentirosos', eu nunca disse isso, meu histórico é de luta e defesa e não o contrário. 'Os vereadores são contra os servidores', isso é mentira, eu não sou contra o servidor. A única questão é que se a comissão tivesse vindo aqui (…) e dissesse: 'nós já temos 1000 assinaturas, o senhor pode esperar um pouquinho' (…), a gente iria esperar, porque não tinha nenhuma pressão do Executivo pra que a gente tivesse que votar no afogadilho (…).

Continuando, afirma que não dá para legislar mediante grupos que apareçam. Se referindo ao grupo que esteve na Câmara, "não nos deram elementos (…), por isso a Câmara votou!"

Já sobre a fraude no sindicato colocada pelos servidores, o vereador levanta questionamentos: "46 pessoas tomaram decisão sobre uma questão tão complexa como esta? Cadê o restante dos membros deste sindicato?"

Paulão se diz favorável às manifestações, à luta pelos direitos; mas a luta não deveria ser com o objetivo de difamar e plantar ódio, se referindo a terem chamado-o de "mentiroso". "Eu sempre fui favorável às manifestações. A luta faz parte da sociedade democrática, mas dentro de um princípio de verdade. Lutas com propósito, objetivo (…), não lutas para difamar pessoas (…), luta com o objetivo de se construir ódio quando na realidade se busca direitos".

Finaliza dizendo que a Câmara está aberta aos servidores e que existe a possibilidade de uma audiência pública sobre o assunto, caso os que estão na luta entendam que o legislativo pode ser um caminho viável.

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

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