Locutor Gerson TC fala sobre questões envolvidas com o rodeio

Locutor Gerson TC e as discussões sobre o “RODEIO”

Share Button

Após mais de um ano da última festa do peão de Hortolândia realizada em 2014 e considerando o trágico acidente com os cavalos que participavam do evento, é oportuna as diversas discussões sobre o tema “RODEIO” e as implicações sociais e culturais envolvidas com o mesmo. Nesta mesma época foi divulgado um vídeo pelo Facebook e no Youtube onde o locutor Gerson TC, Gerson Pereira,  critica o tratamento usual dos artistas e produtores em relação aos peões e ao próprio público. Agora em 2015, em um segundo contato com o locutor, ele nos cedeu uma entrevista.

Segue abaixo o vídeo divulgado em 2014 e a entrevista com Gerson Pereira que acompanha e participa, desde criança, dos rodeios pelo Brasil.

Ativistas e protetores dos animais não aceitam nenhum tipo de agressão ou exposição ao ridículo dos animais. Explicam isso na troca de papéis: Que tal montarmos em cima de alguém e que isso seja um espetáculo para a plateia? Argumentam ainda que os animais não escolheram estar ali. Eles não têm opção.

De acordo com a biologia, todos os seres vivos tem uma função, tem sua importância no mundo; o único ser vivo que ainda não descobriu sua função no mundo, no meio ambiente em que vive, é o próprio ser humano. E ainda somos antropocentristas, achando que tudo, na natureza, deve estar em nosso favor. Suprimos as necessidades básicas da vida e ainda queremos lucrar com o que a natureza nos oferece; então surgem as grandes indústrias (farmacêutica, alimentar, agrícola, dentre outras). Os animais entram neste contexto, inclusive os animais de rodeio e a grande indústria do entretenimento que tomou conta das arenas. Desta forma, achamos que a natureza deve nos servir e usamos os animais como entretenimento para a plateia e como desafio e ganha pão para o peão de rodeio.

Qual o seu parecer sobre estas considerações? O rodeio não virou pão e circo como na Roma Antiga?

O rodeio no Brasil é regulamentado por lei federal 10.519 de 2002, a profissão de ”peão de rodeio” é regulamentada pela lei 10.220 de 2011. O nosso rodeio foi moldado de acordo com as origens americanas nos ranchos, e no Brasil os peões de boiadeiros que transportavam boiadas a passo nas estradas em comitivas, adaptaram a modalidade.

Juridicializar, veganizar, radicalizar ou ignorar as questões acima não nos leva a caminhos sensatos.

Inevitavelmente a vivencia homem/animal, animal/homem está diretamente ligada a ”sobrevivência”. No caso dos rodeios, os touros servem ao rodeio, e o rodeio serve aos touros e, essa troca, condiciona os touros a terem de 5 a 8 anos de vida profissional e, depois disso, a maioria vai pras fazendas onde se aposentam e chegam a viver até 25 anos e acabam tendo morte natural. O índice de lesões é quase zero durante as provas de rodeios, justamente porque esses touros são condicionados, treinados e tratados com acompanhamento veterinário, alimentação e rotina diferenciada. A população bovina brasileira se aproxima de 230 milhões de cabeças, o segundo maior rebanho do mundo; deste total, um esmagador percentual vai pro abate de 6 meses a 1 ano, visto que a precocidade mudou o perfil de abate.

Estima-se que cerca de 0,025% vai pro rodeio, ou seja, a maioria morre cedo, servindo aos MacDonald’s, Burger King, Habib’s, Friboi, churrascarias, redes de supermercados, indústria de vários segmentos como a de couro, farmacêutica, etc., e a minoria que vai pro rodeio, tem longevidade.

Animal, vegetal e mineral, essas 3 origens que nos sustentam serão cada vez mais alvo de debates aprofundados, é assim mesmo que tem que ser, porem de forma sensata.

Como eram os rodeios antigamente? Considerar que hoje o rodeio se transformou em uma das vertentes da grande indústria do entretenimento e também comentar a afirmação do locutor Zé do Prato – “O dia que a TV tomar conta do rodeio, o rodeio acaba”.

O Zé do Prato dizia isso, como forma de alertar pro fato de que devemos manter a origem dos rodeios.  Antigamente os rodeios reuniam a família, amigos, em pequenos circos, depois migrou pros campos de futebol, na sequência veio pras arenas.

A música e o rodeio andam juntos? Como é possível resgatar as origens sendo que o rodeio foi engolido pela grande indústria do entretenimento?

É possivel música e rodeio andarem juntos, tanto que 70% dos shows musicais no Brasil são nos rodeios.

Você acha que estamos vivendo em uma geração de imbecis devido à tecnologia? O rodeio e os shows dos cantores, no contexto da indústria do entretenimento, também não estão imbecilizando as pessoas pela cultura de massas?

Cada qual no seu, cada um faz suas escolhas, e os conceitos mudaram muito nas últimas décadas, acentuadamente na última década, onde a geração atual digitalizou as relações pessoais e profissionais, os ”mobiles” aproximaram os distantes e afastaram os próximos. O excesso de informação e opções, fez com que o ”facilitismo” tomasse conta do raciocínio; assim as pessoas estão lendo menos, escrevendo menos, falando menos ”olho no olho”.

Enquanto a tecnologia enriqueceu a vida das pessoas, as pessoas empobreceram comportamentalmente falando, conceitualizando as relações em níveis infinitamente abaixo das gerações anteriores.  Pra falar com certas pessoas atualmente temos que desligar o cérebro, dependendo do assunto em questão e do lugar.

Se os cantores fossem mais humildes poderiam ter uma carreira mais promissora? Por que tanta arrogância a ponto de fãs terem que implorar para conseguir um autógrafo? Esse pessoal se acha superior?

Todo meio glamouroso provoca mudança comportamental no agente em foco, no caso o pessoal da música.

A música é uma forma de mensagem, daí então a grande oportunidade de alinhar letras, musicalidade, sonoridade e produção, oferecendo ao público opções mais agradáveis e inteligentes, porém divertidas ao mesmo tempo, o grande desafio da música eficiente é esse.

Deveria ser levado a sério isso… O tratamento aos fãs no Brasil é quase uma lástima na maioria dos casos. A língua é a grande arma que fere, mas a vaidade é o grande veneno que mata, e nesse sentido todos nós temos que nos disciplinar muito.

Em Hortolândia, interior de São Paulo, houve um acidente onde cavalos que escaparam do rodeio chegaram à rodovia Campinas – Monte-Mor (ao lado do rodeio) e causaram uma sequência de colisões com veículos que os levaram à morte.

Existe um decreto de lei estadual que proíbe rodeios em perímetro urbano justamente para prevenir e minimizar situações como esta. Hortolândia não possui perímetro rural, é tudo perímetro urbano. Em sua opinião – os municípios, que realizam os rodeios, não deveriam se adequar e cumprir este decreto de lei caso não tenham perímetro rural?

Nem sempre os criadores das leis e muito menos os executores das leis, vivem a realidade da nação, daí então o choque entre o que é proposto e o que é vivido na realidade.

Riscos existem, para correr riscos basta estarmos vivos, porém os grandes rodeios, os grandes campeonatos obedecem normas da Câmara de Bem Estar Animal, ligada à Secretaria Estadual da Agricultura, Polícia Militar, Meio Ambiente, Ministério do Meio Ambiente, Conselhos Regionais de Medicina Veterinária, Ministério da Agricultura, Ima, Emater, Crea, Defesa Civil, enfim, tudo é planejado de acordo com as normas legais.

Esse ocorrido em Hortolândia foi incidente isolado que rompeu a estatística quase zero de ocorrências com segurança nos rodeios.

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

Facebook Twitter YouTube 

Recomendado