FÓRUM DE SUSTENTABILIDADE HÍDRICA NA UNICAMP

Fórum Sustentabilidade Hídrica – Unicamp

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Nos dias 17 e 18 de março, no Auditório Centro de Convenções da Unicamp, se realizará o “Fórum de Sustentabilidade Hídrica: Perguntas, Desafios e Governança”. Confira abaixo, um pouco do que será tratado no Fórum e faça as suas inscrições até o próximo dia 16.

Quando e quais medidas as autoridades tomaram ou têm tomado para resolver ou mitigar este possível desabastecimento? Porque o problema não foi melhor comunicado à população por meio de campanhas educativas solicitando colaboração para a minoração do consumo? Se o problema da queda de pluviosidade já vem de uma década, que ações foram feitas ou estão planejadas para, por exemplo, diminuir os desperdícios da ordem de 35% no sistema de distribuição de água – contra a média de 6% no Japão –, aumentar a capacidade de reservação dos mananciais, incluindo sua preservação e melhoria por meio do reflorestamento das bacias que os cercam?

A atuação antrópica, especialmente em regiões densamente povoadas como aquelas anteriormente citadas, introduz uma grave complexidade à questão do uso da água para consumo humano: sua contaminação. A água, seja de represas, como a Guarapiranga, córregos, rios ou aquíferos sedimentares não profundos, pode estar contaminada por esgotos não tratados ou mal tratados, por poluentes químicos derivados da atividade industrial – como metais pesados e dioxinas –, por derivados da atividade agrícola – como pesticidas – e ainda por poluentes oriundos de drenagem sanitária, como antibióticos, hormônios, substâncias ilícitas, entre outros.

Isto significa que a qualidade da água deve ser constantemente monitorada para que só seja permitida a utilização daquela que atinja níveis de contaminação não nocivos para a saúde humana. A indústria e agricultura precisam ser incentivadas e convencidas a utilizar processos de produção menos poluentes, além de ter a obrigação de reduzir o potencial poluidor de seus efluentes e de buscar formas técnicas outras para diminuição do uso de água em seus processos. O governo, com a coparticipação das esferas executiva, legislativa e judiciária, deve ter como objetivo criar um sistema cuja meta deva mirar os 100% de esgotos tratados nas cidades brasileiras e os efluentes constantemente monitorados, atestando assim a qualidade do tratamento. Como diz o documento “Carta de São Paulo-Recursos Hídricos no Sudeste: Segurança, Soluções, Impactos e Riscos”, sob os auspícios da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, de novembro de 2014,

…já está suficientemente comprovado que para cada real investido em saneamento se economiza pelo menos quatro reais em custos do sistema de saúde, sem ainda considerar todos os demais ganhos socioeconômicos, ambientais. Desta forma, são prementes ações que considerem o saneamento como investimento e não como despesa.

Desafios? Há muitos e são complexos. Sua resolução ou mitigação envolvem ações e pesquisas multidisciplinares, investimentos, planejamento altamente estruturado e organizado em que a interação homem-água possa se dar preservando, com equilíbrio, tanto a saúde da economia como a saúde do próprio homem e do planeta em que vivemos. Para que esta Governança possa ocorrer, é fundamental a transparência de todas as informações, e essa transparência começa com a disponibilização dessas informações por meio de um banco de dados hidrometeorológicos e qualiquantitativos das águas, como oportunamente notado pelo documento “Carta de São Paulo”, citado acima:

A implantação de sistemas de monitoramento da quantidade e da qualidade da água, com integração de bancos de dados climáticos, hidrológicos, ecológicos e biológicos, com acompanhamento do grau de ecotoxicidade, tem caráter estratégico para o Brasil – com reflexos regionais amplos. (…) Somente através da integração e análise desses dados de forma multidisciplinar é que a eficiência de medidas preventivas mitigadoras poderá ser atingida. É preciso fazer com que as informações sejam de mais fácil acesso para os estudiosos e para o público em geral.

Este Fórum “Sustentabilidade Hídrica: Perguntas, Desafios e Governança” é certamente um local apropriado para que a criação desse banco de dados seja discutida e amadurecida. Entendemos que sua instalação é condição fundamental para que a Governança da “questão água” em nosso país comece a se tornar uma realidade e que se possa, também, exigir a implementação de todas as ações definidas nos diferentes planejamentos realizados e constantemente atualizados. Essa governança somente será alcançada quando realmente a gestão dos recursos hídricos se der, como preconizado em nossas Políticas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos, pela descentralização e participação de todos os segmentos da sociedade, por meio dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

Vale ressaltar a participação do professor Richard Palmer, da Universidade de Massachusetts Amherst, que realizará um exercício de simulação, utilizando modelos computacionais ajustados para o Sistema Cantareiras. O objetivo é obter cenários possíveis de oferta e demanda de recursos hídricos, fornecendo bases importantes para estabelecer um planejamento de curto e médio prazo para minimizar os efeitos da seca na região alimentada por esse Sistema.

Após mais de 25 anos de implantação da Lei Estadual de Recursos Hídricos (Lei n. 9433/97), a gestão hídrica teve resultados positivos no ajuste de conduta quanto aos usos e lançamentos das águas servidas dos setores industrial e municipal. Apesar disso, a disponibilidade da água por quantidade e/ou qualidade continua sendo um fator limitante ao crescimento populacional e ao desenvolvimento econômico e ao ecossistema.

A água, juridicamente, é tida como um bem ambiental, um recurso natural, o que significa dizer que “pertence a todos e a ninguém em particular”, e a todos urge conhecer suas características e aspectos legais para possibilitar uma verdadeira gestão descentralizada e participativa que ofereça proteção a esse bem vital.

Este Fórum busca oferecer aos participantes um olhar sobre o tema água em seus diversos aspectos para, além de fomentar a discussão sobre o tema, promover uma gestão capaz de oferecer a sustentabilidade ambiental, social e econômica, a partir dos recursos hídricos, uma vez que a água é um recurso essencial para todas as formas de vida deste nosso pequeno planeta Terra.

Programação
Para mais informações e inscrição

Fonte: GR Unicamp

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

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