Fluxo

Fluxo

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Me desculpem a ousadia, mas o tema borbulha na minha cabeça, por conta das últimas experiências. Não tenho formação direta em psicologia que me permita discorrer sobre o assunto com propriedade, mas enquanto ser humano sensível que sou, sinto na carne a importância de saber lidar com a perda.

A qualquer momento, em diversos âmbitos, você se depara com ela: competições desportivas, contexto acadêmico, profissional, desafios pessoais, animais de estimação e pessoas – ao meu ver, a mais difícil de se absorver, envolvendo ou não a morte.

A noção de que as coisas não estão sob nosso controle, que os botões no joystick da vida nos conduzirão por caminhos diferentes do planejado, de que a vida escorre pelos dedos como a areia de uma ampulheta, faz refletir sobre a importância da atenção aos detalhes, do hoje.

O valor de um sorriso acidental, de uma lágrima sincera, da intensidade de um abraço, dos sinais de carinho emitidos, mesmo sem palavras, da importância das flores em vida – coroas, ao meu ver, são sinais de remorso, auto piedade; do calor do olhar, do brilho do sorriso, do afago de um “você está bem?”.

Cara, tudo isso ajuda a absorver melhor a perda de pessoas, afinal, enquanto houve o contato, foi sentido, foi integral, foi real.

Ganhar sempre não tem graça, afinal, o doce tem mais sabor depois do almoço. Troféus são apenas símbolos, são frios, inertes. O concorrer é memória, é movimento, é vida pulsante, é empenho e é incalculavelmente surreal.

Meu, procurar o lado bom das coisas, e da falta delas, é bacana, afinal, ter controle sobre tudo é cômodo demais, é vicioso, se pensar que seus planos só te levarão onde você consegue imaginar. A partir de interferências, você é expulso de sua redoma de conforto, as coisas rumam para outros nortes, conhecemos outros universos, criados nas cabeças dos que nos cercam, acessamos mundos que não conseguimos ver, sentimos o efeito das cores que outros olhares produzem, observamos por ângulos de outras cabeças.

É muita coisa para conhecer e ficar de fora dessa, se lamentando por não dirigir as situações me soa dramático demais.

Guilherme Bolina

Guilherme Bolina

Interpretador/ transcritor de mundo – letras, números, cores e sons são meus instrumentos. Inquieto, questionador, subversivo, incisivo, ouvinte. Artista visual, aspirante a arquiteto urbanista.

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