Emancipação de Hortolândia é destaque em documentário sobre Sumaré

Emancipação de Hortolândia é destaque em documentário sobre Sumaré

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Produção financiada pelo Ministério da Cultura será lançada nesta quinta-feira

A memória de Hortolândia, uma cidade que está em pleno desenvolvimento, recebe destaque especial no documentário ‘Sumaré história Viva’, que será lançado, nesta quinta-feira (27/10), a partir das 20h, no Anfiteatro do Centro Administrativo, em Sumaré, localizado na Avenida Brasil, nº 1.111. O registro audiovisual é financiado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida por Lei Rouanet.

Produzido pela jornalista Ana Beraldo, o vídeo mostra a trajetória de Hortolândia e Sumaré, que se separaram em 1991. Com duração de 40 minutos, o documentário é conduzido por entrevistas de personagens históricos das duas cidades.

A história é contada em três partes: início das Sesmarias, passando pela emancipação de Hortolândia, até a história do Assentamento Rural 1, modelo de reforma agrária bem sucedida no País.

O primeiro tema ‘Da Sesmaria à Modernidade’, mostra desde o princípio da história de Sumaré, que pertencia à Campinas, até aos dias atuais. Com duração de 20 minutos, o tema é composto por entrevistas de pessoas que tiveram participação na história de Sumaré.

O segundo tema ‘A Emancipação de Hortolândia, a busca de uma identidade’, conta a história do processo emancipatório do então distrito, valorizando o contexto social e político da época.

Entre os principais personagens está o prefeito Angelo Perugini, que participou do processo emancipatório como vereador. Perugini chegou em Hortolândia em 1980 e liderou movimentos populares por terra, moradia, água, asfalto, coleta e tratamento de esgoto.

O jornalista Josemil Rodrigues, autor do livro-reportagem ‘Sumaré por Inteiro’ e atual diretor do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Hortolândia, é outro personagem. Também faz parte da segunda parte do documentário, o vereador Paulo Pereira Filho, que integrou a equipe da primeira gestão da Prefeitura de Hortolândia.

O terceiro tema narra a história do Assentamento I, ´A terra e sua gente’, que destaca o desenvolvimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s), as reuniões realizadas no antigo centro comunitário ‘Pica Pau’, no Jardim Nossa Senhora de Fátima, e a luta dos trabalhadores sem terra que sofriam com o desemprego da época.

Segundo Ana, o tema do documentário surgiu de visitas que fez à região. “Me encantei com a história de Sumaré e de Hortolândia. Existem muitos registros impressos, mas, até então, a região tinha carência de registro audiovisual. Daí a ideia de produzir o documentário. Durante as entrevistas, percebi o quanto o povo de Hortolândia tem orgulho da emancipação”, observa.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Hortolândia tem origem entre o final do século XVIII e o começo do século XIX, quando a região incluía as sesmarias de Joaquim José Teixeira Nogueira, um dono de engenho de cana-de-açúcar.

O local era ponto de parada para tropeiros, colonos e escravos que costumavam descansar à beira de um riacho, onde, atualmente, é o bairro Taquara Branca. Era ali que os viajantes preparavam um pirão feito de farinha de mandioca, cachaça, açúcar e mel, o Jacuba, que acabou batizando o vilarejo.

O marco definitivo para Jacuba veio com a inauguração da estação ferroviária de Campinas, em 1872. Os trens passavam pelo povoado sem parada. Somente 45 anos depois se instalou um ponto na região, a Estação Jacuba.

A característica urbana começou em agosto de 1947, quando a Prefeitura de Campinas autorizou o primeiro loteamento, o Parque Ortolândia, empreendimento de João Ortolan. Foi ele, também, o proprietário da Cerâmica Ortolan, depois chamada de Cerâmica Sumaré, a primeira fábrica instalada em Jacuba. Outro empreendimento importante para a consolidação urbana da região foi o Colégio Adventista.

Até esse período, o vilarejo integrava a área do distrito de Sumaré, pertencente a Campinas. Foi em 1953, por meio da Lei Estadual 2.456 que Sumaré recebeu status de município e Jacuba adquiriu o título de Distrito de Paz.

A mudança do nome do distrito ocorreu, no ano seguinte, em virtude do nome Jacuba já batizar um distrito da região de Arealva. O Projeto de Lei, do então deputado Leôncio Ferraz Júnior, batizou a antiga Jacuba como Hortolândia, uma homenagem a João Ortolan. A letra “H” teria sido um erro de escrita, segundo contam antigos moradores. Outra versão é de que o nome tem origem no Horto Florestal localizado na divisa entre Hortolândia e Sumaré.

Emancipação: uma conquista do povo

O crescimento relâmpago de Hortolândia resultou no crescimento dos recursos gerados pelo distrito. Na década de 1980, Hortolândia era responsável pela maior parte da arrecadação de Sumaré, ultrapassava os 60%. No entanto, o distrito era carente de investimentos na áreas de infraestrutura e social. Nasce o movimento popular pela emancipação político-administrativa do então distrito.

Os moradores queriam autonomia para definir o futuro de Hortolândia. Foi em 19 de maio de 1.991, que 19.081 mil eleitores votaram “sim” no plebiscito que decidiu pela emancipação político-administrativa do distrito. Nascia, assim, da vontade popular, o município Hortolândia, formado por 110 mil habitantes que escolheram a região para morar, vindas de várias partes do país, em pleno êxodo rural, quando o Estado de São Paulo era o destino daqueles que buscavam oportunidades de trabalho e qualidade de vida.

Isabela Santos

Isabela Santos

Departamento de Comunicação da Prefeitura de Hortolândia

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