Dinheiro nas campanhas eleitorais: doação ou investimento?

Dinheiro nas campanhas eleitorais: doação ou investimento?

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Faltando poucos dias para a eleição no país e um número se não chega a assustar, nos traz um alerta importante: quase 1 bilhão de reais foi estimado em gastos com doações nas campanhas eleitorais apenas para o cargo máximo de presidente esse ano, quase o dobro em relação a 2010. Para se fazer uma comparação (a base de curiosidade) ao montante de valor, a Apple gasta essa mesma quantia apenas com uma verba extra para pesquisa de mercado, que inclusive é muito inferior se comparado com os concorrentes do seu ramo.

Mais uma vez o atual governo lidera em arrecadações com R$ 300 milhões, muito pela necessidade de se manter no poder e consequentemente dar continuidade naquilo que foi programado, inclusive com seus grupos de apoio, políticos, executivos e empresários. A sua maior oposição, digo-a partidária, o PSDB arrecadou em torno de R$ 290 milhões.

Isso é claramente uma forma de equilibrar forças em campos de disputa com níveis de interesse parecidos, afinal, grupos que cooperam com esse investimento através de “doações” na maioria dos casos são concorrentes em um mercado competitivo, ou seja, possuem também uma opinião própria em termos de administração e apostam suas fichas na gestão política em que de alguma forma poderão se beneficiar.

Analisando esse cenário, a discussão que podemos levantar é muito relevante: doação ou investimento? Qual a finalidade dessa considerável verba que empresas nacionais e multinacionais destinam as campanhas em todo âmbito nacional? Até onde devemos acreditar que qualquer decisão política que atinja interesse de mercado das indústrias não os faça cobrar mais atitudes governamentais pró-companhias, cobrando e fiscalizando de forma mais branda pra que não prejudique suas ações, produções e faturamentos, desviando a conduta de comando do governo do interesse público para o interesse daqueles que se comprometeram financeiramente em custear campanhas, ou seja, a iniciativa privada?

O simples fato de levantar dúvidas sobre qual lado o partido irá priorizar em sua gestão, digo, público ou privado já é motivo suficiente para darmos maior atenção e abrir canais de discussão sobre o tema, afinal, as circunstâncias são muito mais abrangentes do que podemos imaginar, são interesses mútuos, gananciosos ou de extrema necessidade humana, porém refletem no andamento do país. Podemos citar como um dos exemplos a responsabilidade ambiental, que é uma pequena parcela dos problemas, entretanto, um assunto com peso de ouro se tratando do destino dos bens naturais e do próprio planeta.

Na campanha é notório o tamanho aumento de cartões, flyers e panfletos aliados a placas espalhados pelas ruas, jogados em córregos e bueiros causando prejuízos aos seus próprios eleitores com poluições físicas, sonoras e visuais. Características como essas fazem com que possamos também conhecer o perfil do candidato, sua real capacidade de compreender até onde as suas atitudes podem afetar direta e indiretamente aquele que o mesmo representa.

Importante ressaltar que já existe um projeto de lei que está em fase de votação no senado sobre o fim dessas doações por parte da iniciativa privada e que deve ser acompanhado mais de perto para que possamos entender os princípios que regem por trás dos interesses, se haverá de fato bom senso, se o interesse público será levado em consideração e qual a relevância que as empresas poderão ter em relação à votação e a decisão de proibir ou dar continuidade a esse escopo. Afinal os maiores investidores de toda a máquina pública são os contribuintes, são os trabalhadores e toda a população que são responsáveis por salários, por despesas de viagens, inclusive despesas no próprio período de campanha, em televisão ou na rádio, sendo assim, devemos exigir muito mais, e queremos ser apenas retribuídos da forma merecida, para isso basta um pouco mais de ação atuante de nossa parte, senso crítico e decisões acertadas além de éticas.

Pra que eu não pareça um comunista, inclusive essa não é a discussão, é fundamental que saibamos o papel essencial da iniciativa privada na economia do nosso país, a forma colaborativa que ela pode exercer, desde, com regras bem estabelecidas e fiscalizações adequadas para que se cumpra com suas obrigações e forneça produtos, empregos e serviços de qualidade para a sociedade e traga os benefícios aliados com aqueles que obrigatoriamente o governo deveria nos fornecer. Isso só ressalta a obrigatoriedade em desenvolvermos a nossa capacidade de análise, interpretações coerentes embasadas nas ações, e a reações que ferem diretamente nosso interesse, fazendo com que possamos coibir tais ações, começando no nosso “quintal”, ou seja, partindo do nosso município chegando a toda comarca.

Felipe de Oliveira José

Felipe de Oliveira José

Graduado em Economia, atua a mais de 7 anos na indústria farmacêutica e escreve artigos de caráter econômico e político.

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