Denúncia médica revela a situação precária do sistema público de saúde em Hortolândia

Denúncia médica revela a situação precária do sistema público de saúde em Hortolândia

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Como se não bastasse os abusos administrativos cometidos pelo Executivo, como o novo empréstimo com o banco venezuelano para a construção de mais uma ponte em Hortolândia diante do próprio decreto de calamidade financeira emitido no início do ano, o sistema de saúde também está indo de mau a pior.

Médico que prestava serviços ao sistema público de saúde do município de Hortolândia revela a situação precária vivida pelos profissionais da saúde e pela população hortolandense.

Segue o relato:

Gostaria de fazer um relato sobre o que está acontecendo conosco no município de Hortolândia.

Desde o dia 01 de Maio, a prefeitura cancelou o contrato com uma empresa chamada Perinatal, que era responsável apenas pela gestão dos médicos na cidade. Foi informado que iria assumir uma empresa chamada APGP (Associação Paulista de Gestão Pública), mesma empresa responsável pela greve iniciada no Hospital Vera Cruz em Sorocaba, devido a falta de pagamentos.

Segundo a informação da prefeitura, a empresa manteria os mesmos médicos. no entanto, todos seriam obrigados a trabalhar como pessoa jurídica e os dados deveriam ser enviados à APGP para efetuação do cadastro.

Pois bem, todos enviamos a documentação para elaboração do contrato e este não foi realizado. Todos os médicos que trabalham nas UPAs e no Hospital Mário Covas estão sem contrato de trabalho até hoje, ou seja, trabalhando de forma irregular.

No entanto, ainda acreditávamos que eles iriam realizar o pagamento correto, que segundo eles, seria no mais tardar, 45 dias após eles terem assumido (15 de junho).

O dia 15 de junho chegou e muitos de nós não recebemos. Tentávamos contatar a empresa e sempre recebíamos respostas vagas e promessas de que o pagamento seria realizado no dia da reclamação.

Após alguns terem recebido, verifiquei que meu recebimento e de demais ultrapassava já os 53 dias de espera.

Ora, todos sabemos ser difícil pagar as contas com tamanhos atrasos. Comecei a gravar todas as ligações, registrar fotos, tirar prints das mensagens que eles não respondiam e inclusive dos próprios funcionários da APGP reclamando que eles também estavam no escuro. Liguei na central da APGP e consegui após diversas ligações falar com uma das atendentes que burocratizou ao máximo o processo e foi de extrema falta de educação.

Cansado do descaso, liguei para o Secretário de Saúde do município que me informou que iria falar com a APGP e ver o que poderia ser feito. Naquele mesmo dia (27/06), após eu ligar para a APGP, uma outra pessoa me atendeu e realizou o pagamento devido.

A questão é que outros médicos também ficaram sem receber fazendo o mesmo caminho que o meu.

Então protocolei um pedido no tribunal regional do trabalho que deu início a um inquérito civil contra a APGP e a Prefeitura de Hortolândia.

O ambiente de trabalho também tornou-se péssimo.

Enfermeiras concursadas sendo retiradas das unidades com escolta por exigirem seus direitos básicos como folga e transferências irregulares para setores que não tinham sido contratadas. Médicos concursados também sofreram pressão.

Retiraram um médico de cada UPA com a justificativa de que eles não tinham dinheiro. Diversos médicos perderam seus plantões sem aviso prévio. Obrigaram os pediatras a atenderem pacientes não pediátricos para dar conta da demanda e atualmente a fila de espera que era de 20 minutos, saltou para 4 horas.

O ambiente ficou extremamente opressivo, com as coordenadoras das UPAs cobrando até o fato das pessoas pararem para almoçar como falta grave. Ou seja, praticamente um local de escravidão.

Para piorar, a APGP deixou e deixa faltar material constantemente; sendo, muitas vezes, impossível realizar atendimentos básicos e motivo esse que levou a uma denúncia no ministério público que visitou e fiscalizou as unidades encontrando diversos problemas. Além disso, a coordenação pediu para que no dia da fiscalização não falássemos nada do cotifiano para os fiscais.

Mas, como resumo da ópera, ontem acordo com a ligação (a qual tenho gravada) do coordenador médico de Hortolândia e Sumaré, totalmente constrangido, me informando que a APGP em São Paulo me despediu sumariamente. O mesmo elogiou o meu trabalho e pediu para que a APGP não fazer isso. Porém, a ordem da APGP tinha sido dada sem justificativa e sem nenhuma aviso prévio, dizendo que “eu sabia a razão”. E fui informado que não apenas eu, mas todos os médicos que reclamaram sobre não ter recebido o pagamento foram todos dispensados sem aviso.

Não temos contrato com a APGP, pois eles não fizeram. Tenho como provas que trabalhei em Hortolândia os livros de presença, cada ficha atendida, as mensagens do grupo com os plantões realizados, dentre outros documentos.

Agora estou bastante apreensivo se irei receber o que me devem e inclusive temo sofrer represálias, pois me envolvi com “gente grande”. Falei com o secretário de saúde, mas até o momento o mesmo não me deu um parecer.

Eu só queria ir lá fazer o meu trabalho que tanto amo com qualidade e receber o que é meu por direito. Nunca cobrei 1 centavo a mais, pelo contrário, quando me mandaram um valor a mais para gerar nota, os comuniquei imediatamente disso. Sou uma pessoa honesta e só esperava que fossem comigo.

E acima de tudo, temo pela saúde em Hortolândia e pelos meus colegas médicos. Todos estão sendo expostos a essa empresa e a população está sofrendo.

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

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