Contaminação Ambiental do Caso SHELL-BASF É Compensada em Pesquisas Sobre o Câncer

Contaminação Ambiental do Caso SHELL-BASF É Compensada em Pesquisas Sobre o Câncer

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Estudo epidemiológico foi selecionado pelo Ministério Público do Trabalho

Melhor seria que as empresas fossem mais responsáveis e a contaminação do solo e lençóis de água por produtos tóxicos não acontecesse. Porém, como aconteceu e muitas pessoas foram prejudicadas e o meio ambiente sofreu um grande impacto; o Ministério Público do Trabalho puniu devidamente as empresas envolvidas (SHELL e BASF), ainda que não resolva os problemas pontuais dos afetados pela contaminação.

Neste contexto, o Instituto Boldrini recebeu uma verba de aproximadamente R$ 20 milhões que será aplicada na infraestrutura necessária para suporte de diversas pesquisas sobre o câncer.

Confira diversos vídeos sobre o assunto e também o documentário/filme “O Lucro Acima da Vida” que também aborda este caso:

O CASO

O problema começou há cerca de dez anos na empresa Shell, instalada no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. Foi descoberto que o solo da fábrica de pesticidas e o lençol de água que abastece as chácaras do bairro estavam com produtos tóxicos. O local era da Shell, foi vendido, depois a Basf assumiu a fábrica, desativada por ordem judicial. As empresas foram condenadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas a valores totais que somam R$ 400 milhões. A ação coletiva, de autoria do Ministério Público do Trabalho, começou em 2007 e pediu indenizações a trabalhadores contaminados pela fábrica de pesticidas entre 1974 e 2002.

A CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL É COMPENSADA EM PESQUISAS SOBRE O CÂNCER

O Centro Infantil Boldrini, hospital campineiro referência no tratamento de câncer infantojuvenil, é uma das instituições beneficiadas pelo acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho de Campinas (MPT) e as empresas Raízen Combustíveis (Shell) e Basf. O projeto selecionado do Boldrini inclui a realização de estudo epidemiológico que investigará o impacto do meio ambiente na incidência do câncer da criança e do adolescente, e a infraestrutura necessária para suporte deste estudo e de outras pesquisas científicas aplicadas em câncer.

O Boldrini participou de evento no dia 9, no Ministério Público de Campinas, quando foi formalizada a doação dos recursos. Pelo acordo, o Boldrini receberá cerca de 20 milhões de reais, que serão aplicados inicialmente para a construção do Instituto de Engenharia Molecular e Celular, desenhado para contribuir na produção de inovação e tecnologias disruptivas, e também para a realização de estudos epidemiológicos de grande porte.

Para a doutora Silvia Brandalise, presidente do Boldrini, os recursos chegam em um momento importante.

O compromisso de Campinas junto à Agência Internacional de Registro de Câncer (IARC/ OMS) com sede em Lyon (França), na participação do estudo epidemiológico coordenado pelo Consórcio Internacional de Câncer da Criança (ICCC), estava na pendência de recursos financeiros para a aplicação dos questionários epidemiológicos. Com esta doação, serão iniciados de imediato os trabalhos, comenta.

Segundo a doutora Silvia, no Instituto serão desenvolvidas pesquisas básicas, pré-clínica e clínica sobre os diversos aspectos do câncer, desde as causas genéticas do crescimento descontrolado das células cancerosas, suas interações com fatores ambientais, até o desenvolvimento de novas terapias, incluindo os necessários testes clínicos.

O estudo epidemiológico mapeará os fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do câncer infantil, em 100 mil crianças nascidas na região, desde o pré-natal até quando completarem 18 anos. Participarão do estudo 100 mil gestantes, atendidas pelos sistemas público e privado de saúde. As gestantes responderão a quatro questionários: um no primeiro trimestre da gravidez; outro no segundo trimestre da gestação; o terceiro quando a criança completar seis meses e o último quando a criança tiver 1 ano e meio.

Serão analisados, além dos fatores ambientais, o estilo de vida e hábitos dos pais, condições de trabalho dos pais, uso de medicamentos e drogas durante a gravidez, intercorrências durante a gestação, aumento de peso materno neste período, peso da criança ao nascimento, prematuridade, idade dos pais e outras variáveis que possam estar envolvidas com o câncer e malformações congênitas.

Nesta fase também será analisado o sangue da mãe e avaliado o teste do pezinho do bebê. O Boldrini contará com a parceria das Unidades Básicas de Saúde (UBS), não somente para a informação pontual de cada diagnóstico de gravidez, como também, os médicos das UBS deverão informar ao Boldrini sempre que uma criança for diagnosticada com uma doença mais grave ou incomum. Com essa informação, o Boldrini poderá fazer um trabalho com a família e a equipe dos profissionais das UBS.

BOLDRINI

O Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico de Campinas, referência latino-americana, há 37  anos atua no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas (hemofilia, talassemia e anemia falciforme). Atualmente, o Boldrini trata cerca de 10 mil pacientes de diversas cidades brasileiras e alguns de países da América Latina, a maioria (80%) via SUS. É considerado como um dos centros mais avançados do país, que reúne alta tecnologia em diagnóstico e tratamento especializado, com índice de cura de 70% a 80% em alguns tipos de câncer. www.boldrini.org.br.

Imagem da Matéria – Dra Sílvia Bradalise do Boldrini em entrevista ao Correio Popular

A Redação

Por Uma Mídia Livre em Hortolândia.

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