Ativistas Ocupam Arena do Rodeio de Hortolândia

Ativistas Ocupam Arena do Rodeio de Hortolândia

Share Button

Os ativistas 269life BRASIL ocupam arena, e se tornam a voz dos animais pelos maus tratos e também luto pelo acidente na SP-101 do último dia 17/05 que envolveu humanos e animais do rodeio; e, no entanto, pelo simples comando do locutor, foram vaiados pelo povo de Hortolândia e visitantes. Este incidente nos leva ao que ocorria no imenso coliseo da Roma Antiga, onde o povo recebia o pão e o circo, ridicularizavam e aplaudiam, e enquanto isso, o mesmo povo morria devido às pestes e à falta de alimentos consequentes da ambição pela conquista de mais terras obtidas pelo derramamento de sangue nas guerras que empreenderam.

Não é a voz dos peões, pseudo-gladiadores, pois não estão ali como escravos, como ocorria em Roma, hoje eles têm liberdade de escolha. Estes estavam ali buscando fama, afirmação da masculinidade, dinheiro e mulheres. Neste contexto, a ocupação dos ativistas foi a voz dos animais (gladiadores) que ali estavam como escravos de uma “indústria cultural de espetáculos das massas”.

E os organizadores do evento, os grandes empresários, os “homens” do governo de Hortolândia… Quem são eles? Podemos encontrar, no meio destes, césares e senadores romanos buscando entreter o povo com mega eventos, com pão e circo, enquanto o mesmo povo sofre?

Leia a transcrição do que aconteceu no momento da ocupação da arena pelos ativistas: “(primeiro locutor) Milhares e milhares de família por todo o território nacional… São mais de 500 eventos todos os anos… Aonde…. (entra um segundo locutor) Eu quero uma vaia pra eles (se referindo aos ativistas que ocuparam a arena), por favor… Porque vocês precisam se informar… Vocês precisam se informar… Vocês são mal informados… Vocês são mal informados… Vocês sabem… Infelizmente nós temos estes tipos de pessoas… medíocres… que não sabem o que fazem… vamos vair Hortolândia… (o primeiro locutor entra novamente)… nu merece nem nossa atenção…nu vamo parar o rodeio, nô vamo parar a nossa festa por causa de imbecísPessoas mal informadas aí… Beleza? (…) (Um pouco depois… se justificando) Tem o carinho pelos animais, tem sim o profissionalismo de cada um que vive no rodeio…”

O rodeio… “(…) deixou de ser ritual de entretenimento da cultura pastoril subalterna, emergiu da indigência própria da produção cultural rústica, popular, suburbana, para ocupar o campo valorizado da indústria cultural e dos espetáculos de massas, instituindo outras formas de sociabilidade, agora regulares, dotadas de espaços próprios, multiplicadas por quase todo o país, envolvendo e imiscuindo, novamente, classes dominantes e dominadas nos mesmos espaços sociais, possibilitando a formação de um imaginário social denso e eficaz. Mas, além disso, os rodeios se tornaram, também, rituais expressivos da hierarquia de poder simbólico vigente no âmbito do agribusiness, o que pode ser visto na interface que seus produtores estabelecem com o campo da produção animal.”*

O povo ali presente estava nitidamente manipulado pelo evento e pelo poder do pensamento coletivo em busca de prazeres sensoriais propiciados pela sociedade capitalista contemporânea A ocupação durou alguns segundos e foram retirados, segundo os próprios ativistas, aos socos e pontapés pelos seguranças do evento. A festa continuou normalmente com as montarias e a vibração e aplausos da massa.

Assista o vídeo com algumas imagens do dia 18/05 e o protesto e a ocupação da arena do Rodeio no dia 19/05 pelos ativistas de Campinas, 269life BRASIL. Os preparativos para a entrada no rodeio e ocupação da arena está aproximadamente aos 26 min. de vídeo.

“Individualismo, competição, exibição, distinção, segregação e hierarquização rígida das posições intra e extraclasses são valores dominantes remetidos às práticas sociais mais diversas, alcançam sujeitos dominados, e formam identidades intercambiáveis, calcadas em combinações simbólicas transitivas e transitórias. Tais valores e sensibilidades, quando traduzidos em práticas, exigem um esforço permanente de todos os sujeitos para não perder a volumosa oferta de prazeres das sociedades capitalistas contemporâneas. Sob uma produção acelerada de sentidos, produzir no mercado simbólico sugere uma imposição do consumo obrigatório de tudo por todos, mesmo que os símbolos estejam deslocados dos referenciais primeiros de identidade de cada indivíduo ou grupo singular. Em todas as cidades com grandes rodeios, a produção e a fruição acelerada de sentidos diversos se realizam de forma exponencial.”*

Se tivessem ouvido estes tipos de pessoas medíocres que não sabem o que fazem, a seqüência de acidentes não teria acontecido e os imbecís talvez até pudessem explicar aos organizadores, empresários e ao poder público que aquele local não é uma área rural e que o decreto estadual 40.400/95 existe justamente para evitar estas situações no perímetro urbano. Este decreto estadual 40.400/95, que proíbe rodeio, haras, hotéis-fazenda e congêneres em perímetro urbano, visa a própria segurança humana; no  entanto a Festa do Peão de Hortolândia ainda acontece, e, no último sábado para domingo (3ª noite do rodeio), ocorreu esta já citada seqüência de acidentes na SP-101 provocada por 6 cavalos que fugiram do pasto ao lado do recinto do rodeio.

Foram 4 vítimas humanas levadas ao hospital Mário Covas, das quais, 3 foram encaminhadas ao Hospital Estadual de Sumaré, e uma vítima está em estado grave na UTI; já, os cavalos, todos morrreram, além de um cachorro nomeado de Bethoven, pertencente à rede Giovanetti, que também não resistiu ao acidente.

Segundo informações de pessoas envolvidas na segurança e administração do evento, a responsabilidade sobre os animais não é dos organizadores da Festa do Peão e sim dos proprietários dos animais, pois os cavalos estavam do lado de fora, no pasto. Outra observação feita por um dos seguranças, o qual tomamos o direito de preservar a sua identidade e imagem, é que se constatou que os arames da cerca estavam cortados e os animais não teriam condição de pular o arame, e supõem que seja pessoas que moram no bairro atrás do rodeio que tenham feito isso, se referindo como “quem cortou foi essa mulecada daqui… e cortou de forma proposital” apontando para uma área atrás do rodeio; o segurança ainda ficou sabendo que já havia uma caminhão esperando para roubar estes cavalos. A intenção era o roubo dos cavalos confirma o segurança, mas considera que essa fuga dos cavalos deve ser melhor apurada.

Depois de toda esta repercussão do acidente na rodovia SP-101, qual será a atitude do Poder Público de Hortolândia e das cidades vizinhas? Será que deixarão cair no esquecimento da população ou talvez continuarão manipulando uma massa, que no pensamento coletivo, nunca questionou o acidente e muito menos o mau trato com os animais?

Nota: Os Policiais Militares, os Guardas Municipais e envolvidos diretamente com o evento não quiseram dar entrevista sobre o acidente, pois não estavam autorizados a falar sobre este assunto, o qual deve ser dirigido à assessoria de imprensa do rodeio. Enviamos 11 perguntas à esta assessoria de imprensa e até o momento estamos aguardando respostas pontuais, somente recebemos um “Comunicado Oficial“.

___________________________
* ALEM, João Marcos. Uma identidade caipira-sertanejocountry no Brasil. REVISTA USP, São Paulo, n.64, p. 94-121, dezembro/fevereiro 2004-2005.
da SILVA, Reijane Pinheiro. RODEIO: Um Texto Sobre Goiás. Sociedade e Cultura, v. 4, n. 2, jul./dez. 2001, p. 171-194.

Leandro Bolina Nascimento

Jornalista e fundador do Hortolândia NEWS.

Facebook Twitter YouTube 

Recomendado