Arnaldo Jardim Questiona o Consumo Excessivo de Água pelo Agronegócio

Arnaldo Jardim e a Irrigação no Agronegócio

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A afirmação de que o agronegócio ou a agricultura consomem aproximadamente 72% da água, deve ser revista e a agricultura orgânica e familiar gastam ainda um pouco mais de água na sua irrigação devido ao tamanho reduzido da área utilizada no plantio, são afirmações do novo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim.

Pergunta: O Agronegócio é responsável pelo consumo de 70% da água. Os consumidores (residências) são responsáveis por menos de 10%. Por que então a responsabilidade vai sempre para os consumidores? A agricultura orgânica e familiar não deveria ser mais incentivada?

Arnaldo Jardim: Você, sinceramente, misturou duas coisas. Primeiro a agricultura orgânica e familiar deve ser mais incentivada – mas essa agricultura até acaba exigindo um pouco mais de água; as grandes propriedades acabam tendo um ganho de escala  nessa questão. Então que isso, esse critério da água, não faça a gente desistir da orgânica nem da familiar, que são muito importantes e são uma prioridade de atenção nossa. Agora você colocou uma outra questão que eu tenho visto muito frequentar este debate. Outro dia eu vi uma conta dita num jornal dizendo o seguinte: olha, um quilo de carne para ser produzido teve no seu processo 12.000 litros de água. O que se fez? Calculou num quilo quanto é o tamanho do pasto, uma chuva que aconteceu lá, a alimentação do gado até chegar no seu período de abate, depois todo o processo industrial que isso significou e fez uma conta. É um jeito de ver! É aquela coisa. Um copo está com água pela metade, alguns dizem, meio cheio, outros dizem, meio vazio. Será que é essa a medida? Ou num quilo de carne quanto é que tem de água produzida? Por quê? A água que vai para a agricultura tem uma outra natureza, tem um outro sentido. Então você utilizou essa água para que ela gerasse o pasto, mas essa água perculou, se infiltrou, e foi para o nosso lençol freático! Você, depois, teve um processo que você reutilizou no abate e essa água teve uma outra utilização. Então nós vamos buscar racionalizar, valorizar as boas práticas, conter gastos excessivos, mas esse número de que o agronegócio ou a agricultura consomem 72% daquilo que se tem de água é uma coisa que precisa ser revista.

Réplica

Na resposta de Arnaldo Jardim, faltou mencionar a questão da responsabilidade sobre a escassez e consumo de água que sobra frequentemente aos consumidores. Tanto a agricultura (agronegócio) e indústrias parecem que são isentas destas responsabilidades. O que dizer então de empresas como Nestlé e Coca-Cola, que além de consumirem muita água, parece que estão interessadas na sua privatização?

Dizer que a “agricultura orgânica” (excluindo a agricultura familiar, pois esta pode fazer uso de técnicas convencionais ou não) gasta mais água do que o agronegócio é aceitável, considerando-a somente como substitutiva dos insumos químicos (agrotóxicos e fertilizantes) por insumos orgânicos; porém, esta agricultura devolve uma água aos lençóis freáticos de melhor qualidade do que quando recebida, o que não acontece com a agricultura convencional devido ao uso de fertilizantes e agrotóxicos.

No entanto, o uso de água na “agricultura ecológica” tem demonstrado ser menor, pois se utiliza um manejo de terra que a torna mais úmida, além de mais nutritiva para o plantio, o que demanda menos irrigação. Na agricultura convencional o solo é entendido somente como uma base para o plantio; tendo assim, uma demanda maior de irrigação. Veja o exemplo da cidade de Jundiaí/SP:

Sobre o consumo de água pela agricultura de 70%, Arnaldo afirma ser um dado que deve ser revisto; no entanto, coloca na sequência da entrevista, que métodos de irrigação mais eficientes e com menos desperdício estão sendo estudados e adotados, como a técnica de irrigação por gotejamento. Diversos estudos e pesquisadores vêm questionando o uso da água nas agriculturas convencionais e inclusive são números vindos da ONU e da Agência Nacional das Águas (ANA). Além disso, os estudos apontam que a maior parte da produção do agronegócio é destinada às exportações, já a agricultura familiar atende aproximadamente 70% da demanda interna.

Obs.: Estas estatísticas não condizem com a realidade do Estado de São Paulo, sendo que aqui o consumo médio de água pela agricultura cai para 42% e no Alto do Tietê para 0,9%. Veja a entrevista realizada com o Prof. Antônio Carlos Zuffo para maiores esclarecimentos.

Fonte: o vídeo foi extraído do programa Notícias em Debate da TVB afiliada Record, dirigido pelo apresentador Helton Pimenta do dia 11/02/2015 entrevistando o novo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim.

Leandro Bolina Nascimento

Jornalista e fundador do Hortolândia NEWS.

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