1º de Maio: O que temos a comemorar?

1º de Maio: O que temos a comemorar?

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Historicamente, a data de 1º de Maio, passou a ser comemorada a partir das conquistas trabalhistas, datada de 1886, motivada por manifestações na cidade de Chicago (USA).

Naquela ocasião os manifestos eram contra as condições de trabalho e excessivas jornadas de trabalho, por algumas situações, consideradas desumanas.

No Brasil, os primeiros acenos se deram na década de 1920. Mas, o seu marco se deu mais futuramente,  com os pronunciamentos do Presidente Getúlio Vargas acerca de conquistas de direitos trabalhistas resguardados para essa data, popularizando a comemoração.

Mas afinal, o que temos a comemorar nessas últimas décadas que possa admitir o Dia do Trabalho como um Feriado Mundial?

Estranhamente, o tradicional pronunciamento em rede nacional de televisão da Presidente da República, neste ano foi suspenso, possivelmente para resguardá-la do atual momento que vive a economia e, consequentemente, os negativos números do mercado de trabalho.


Neste ano, ao contrário de todos anteriores do primeiro mandato, Dilma não fará pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV no Dia do Trabalho. A estratégia do Planalto será divulgar mensagens da presidente na internet, em contas do governo nas redes sociais (do G1 em Brasília)

O desemprego que segue em alta em nosso país, atingindo a taxa de desocupação de 5,9% em fevereiro de 2015, segundo o IBGE, ganha força podendo chegar a 8% até o fim deste ano.

Olhando para o rol de empresas que mais demitiram no ano de 2015, encontramos a OI que já demitiu mais de 1.000 funcionários somente neste mês de abril. A linha branca de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, não está ilesa, no último ano já demitiu cerca de 3 mil empregados no Brasil. A Electrolux de Curitiba anunciou promover até o final de abril cerca de 200 demissões. Inúmeras empresas que prestavam serviços para a Petrobras, por conta da operação Lava Jato, provocaram demissões em massa. A Construtora Queiroz Galvão demitiu mais de 70 funcionários e já anunciou à outros 500 o aviso prévio. A Azul Linha Aéreas já determinou a redução de voos para 11 destinos brasileiros, com cortes anunciados de até 700 funcionários. A Mercedez-Benz e a Natura também já eliminaram postos de trabalho neste ano.

Pelo mundo, o cenário não é diferente em muitas empresas tradicionais como a Sony e Coca-Cola, que também contribuíram com o aumento dos números negativos no Brasil. A American Express já anunciou cortar mais de 4 mil postos de empregos. A Siemens informa cortar 7.800 funcionários em todo o mundo. A Sony anunciou que até o fim do ano fiscal 2015-2016, a empresa fará aproximadamente 2.100 demissões. A Ericsson irá demitir 2.200 pessoas na Suécia. A Target já cortou 1.700 vagas e deixou outras 1.400 sem reposição. A Coca-Cola demitirá cerca de 1.800 trabalhadores.

Este movimento ganha diferentes argumentos, seja pela queda nas vendas, redução nos investimentos, revisão do orçamento em busca de economia para garantir competitividade destas companhias.

E quando o assunto é a permanência dos postos, podemos dizer que os direitos trabalhistas ficam ameaçados a partir do polêmico projeto de Lei 4.330/2004, que já tramita há mais de 10 anos, e agora ganha força para a sua regulamentação, ampliando assim a terceirização de todas as atividades, incluindo as atividades consideradas fim. Ainda temos o que comemorar?​

Imagem da matéria: Revolta Brasil e 180 Graus

Sérgio Rodrigues Pontes

Coordenador de Curso de Tecnólogo em Recursos Humanos na empresa Faculdade Anhnaguera e Especilaista em Recursos Humanos na empresa USINA AÇUCAREIRA FURLAN S/A

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